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Gestão Tarcísio inicia experimento que divide alunos por rendimento escolar

Projeto Voar segmenta estudantes do ensino fundamental em turmas "padrão" e "adaptada" em 147 escolas estaduais de São Paulo, gerando controvérsia e debates sobre impacto pedagógico e social.

O governo Tarcísio de Freitas implementou em São Paulo o "Projeto Voar", que divide alunos do ensino fundamental por rendimento escolar, gerando debates entre pais, professores e especialistas.

O governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), implementou um experimento controverso nas escolas estaduais, o “Projeto Voar”. A iniciativa, direcionada aos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), consiste na divisão de alunos de uma mesma série em turmas distintas, categorizadas por seu rendimento escolar.

Este projeto-piloto abrange 147 unidades de ensino, com o objetivo declarado de reduzir as desigualdades educacionais.

No âmbito do Projeto Voar, os estudantes são alocados em dois tipos de turmas: “padrão” e “adaptada”. A primeira destina-se a alunos com baixa ou nenhuma defasagem de aprendizado, enquanto a segunda acolhe aqueles com alta e média defasagem, determinados pelas notas em língua portuguesa e matemática no Saresp de 2025.

A Secretaria de Educação (Seduc), liderada por Renato Feder, justifica a separação como uma forma de acelerar a aprendizagem dos que mais precisam, ajustando o ritmo das aulas para cada grupo. O subsecretário pedagógico, Daniel Barros, explicou que o conteúdo será o mesmo, mas o ritmo e a profundidade da abordagem variarão.

A implementação, contudo, gerou questionamentos significativos. Pais e alunos das escolas participantes afirmam não terem sido informados previamente sobre a adesão ao experimento, levantando preocupações sobre o impacto na autoestima e na trajetória escolar dos estudantes.

Professores relataram à Folha de S.Paulo que só souberam da divisão na sexta-feira (29), dois dias antes do início do ano letivo, e foram orientados a evitar que os alunos percebessem a segregação, utilizando nomenclaturas aleatórias para as turmas. Apesar disso, os próprios alunos já teriam notado as diferenças.

Especialistas em educação e estudos prévios apontam os riscos de tal política. Embora a gestão Tarcísio apresente o projeto como inovador, a prática de separar turmas por desempenho foi comum nas décadas de 1980 e 1990, sendo posteriormente abandonada pela maioria das redes de ensino devido a evidências de que pode reduzir a autoestima de alunos com baixo rendimento, aumentar casos de indisciplina e, inclusive, elevar a evasão escolar.

Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP, critica a divisão como um reflexo da padronização curricular imposta pela gestão, que restringe a autonomia docente e pode gerar frustração.

A Seduc defende que o agrupamento dos estudantes é uma prerrogativa pedagógica da escola e que a medida visa justamente combater a estigmatização preexistente dos alunos defasados, devolvendo-lhes a autoestima através da aprendizagem efetiva. O projeto será avaliado por um ano pela Parceiros da Educação e um “time de educação de Harvard”, com um grupo de controle de 95 escolas, e poderá ser encerrado em 2027 caso os resultados não sejam positivos.

A controvérsia, no entanto, persiste, destacando o debate sobre as melhores estratégias para promover a equidade e a qualidade na educação pública.

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