Durante o 14º Fórum de Lisboa, realizado na segunda-feira (1º de junho de 2026), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, manifestou sua preocupação em relação ao uso impróprio da inteligência artificial (IA) nas eleições. Ele enfatizou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve estar preparado para lidar com os desafios que essa tecnologia pode trazer ao processo eleitoral.
Gilmar Mendes destacou que já existem casos documentados de mau uso da IA, o que gera apreensão. "Precisamos garantir que haja algum controle", afirmou o ministro, ao prever que as próximas eleições estarão marcadas pelo uso e abuso dessa tecnologia. O magistrado também apontou que a regulação da tecnologia e o seu uso nem sempre avançam na mesma velocidade, o que pode resultar em problemas.
De acordo com o decano do STF, a regulação frequentemente chega de forma defasada e desatualizada. Contudo, ele acredita que o Brasil tem conseguido oferecer respostas adequadas e se posiciona como um país de vanguarda em termos de regulação das redes sociais. "Estamos dialogando com as big techs para criar um estatuto de regulação apropriado, e espero que esse ambiente também se estabeleça no pleito eleitoral", afirmou.
Em sua fala, Gilmar Mendes também abordou a defesa da democracia, ressaltando que o país tem demonstrado capacidade em proteger sua soberania. Ele citou as discussões em torno da lei Magnitsky dos EUA e a importância das conversas sobre redes sociais, expressando confiança na institucionalidade e na defesa da soberania nacional.
O ministro comentou sobre a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF, qualificando a questão como política e não relacionada à sua capacidade jurídica. "Não houve constatação de falta de qualificação. Essa é uma crise entre o governo e o Senado, e devemos analisar as conclusões a partir disso", disse.
O Fórum de Lisboa deste ano, que recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, abordou o tema "Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais". O evento teve um recorde de palestrantes internacionais, refletindo uma mudança significativa na abordagem deste ano. A distinção conferida pela Presidência Portuguesa reconhece a relevância do evento para o fortalecimento do debate democrático e a reflexão sobre desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, Brasil e a comunidade internacional.