As instituições financeiras realizaram a transferência de R$ 5,7 bilhões em recursos que não foram resgatados por clientes para o Fundo Garantidor de Operações (FGO). A informação foi divulgada pelo Ministério da Fazenda nesta quarta-feira, 27 de maio. Esse montante integra uma estratégia do governo que visa reforçar o programa de renegociação de dívidas conhecido como Desenrola.
Os valores transferidos representam o que é denominado "dinheiro esquecido", que estava acumulado em contas bancárias e outras instituições financeiras, permanecendo inativos nas tesourarias do sistema financeiro. O governo tem como expectativa mobilizar até R$ 8 bilhões desses recursos para o FGO, que será utilizado como garantia para operações de crédito no novo programa de renegociação, assegurando cobertura para eventuais inadimplências.
A medida tem como foco principal ampliar a capacidade de concessão de empréstimos com desconto a indivíduos endividados, que é o objetivo primordial da nova fase do programa. Além disso, uma parte dos recursos permanecerá reservada para atender a possíveis pedidos de resgate por parte dos titulares. De acordo com as normas estabelecidas, aproximadamente 10% do total transferido será mantido para atender clientes que comprovarem direito a esses valores.
Dados do Banco Central (BC) indicam que ainda existem cerca de R$ 10,6 bilhões disponíveis para recebimento no sistema financeiro, os quais estão distribuídos entre milhões de pessoas físicas e jurídicas. A transferência dos recursos para o FGO foi determinada por uma portaria emitida no início de maio, como parte de um pacote que teve como objetivo reestruturar o Desenrola.
O programa, que foi relançado neste ano, busca ampliar sua abrangência em relação à renegociação de dívidas, assim como estimular o crédito em um cenário de alta inadimplência entre as famílias. A utilização desses recursos esquecidos é considerada uma estratégia pela equipe econômica para financiar políticas de crédito, evitando que haja impacto direto sobre o Orçamento, ao redirecionar recursos que estavam inativos no sistema financeiro para uma função ativa na economia.