A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifestou sua preocupação em relação à recente decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos provenientes do Brasil. Em uma nota divulgada em 16 de julho, a entidade ressaltou que essa medida eleva os custos para acessar o mercado americano, o que pode comprometer a competitividade da indústria nacional.
De acordo com a análise da FIEMG, essa nova tarifa cria uma desvantagem para os exportadores brasileiros quando comparados a fornecedores de outras nações que também disputam os mesmos compradores. O impacto da tarifa dependerá, segundo a entidade, dos produtos afetados, da classificação tarifária de cada item e das condições estabelecidas para concorrentes internacionais.
A federação alertou que essa situação pode resultar na substituição de fornecedores brasileiros, além de pressionar as empresas a reduzirem seus preços e margens de lucro, o que pode levar à renegociação de contratos, prazos e condições comerciais já estabelecidas.
Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, destacou a necessidade de clareza sobre os produtos que serão afetados pela tarifa, os prazos para a sua implementação e o tratamento de contratos em andamento, com o intuito de diminuir as incertezas para as empresas exportadoras.
A entidade também enfatizou a importância de fortalecer as negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, visando mitigar os impactos da nova tarifa e assegurar a segurança jurídica para contratos já firmados e cargas que estão em trânsito. A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, enquanto o governo brasileiro analisa como reagir através da Lei da Reciprocidade Econômica.
A imposição da sobretaxa foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump após investigações realizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão argumenta que o Brasil adota práticas consideradas "desleais, discriminatórias e irrazoáveis", mencionando, entre outros aspectos, o sistema de pagamentos Pix, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre plataformas digitais, questões relacionadas ao desmatamento ilegal e indicadores de combate à corrupção.