As doenças cardiovasculares permanecem como uma das principais causas de morte entre as mulheres no Brasil. Dados recentes do DataSUS indicam que uma mulher morre a cada 11 minutos em decorrência de infarto agudo do miocárdio no país. Essa estatística alarmante destaca a urgência de se abordar o tema da saúde cardiovascular feminina com seriedade e atenção.
A cardiologista Egle Costa Oppi, que atua como gerente médica executiva da Biolab Farmacêutica, aponta que as doenças cardiovasculares resultam em um número maior de mortes entre mulheres do que a soma de câncer de mama, câncer de pulmão e doenças pulmonares crônicas. Para ela, a compreensão das particularidades que envolvem o diagnóstico e o tratamento dessas condições em mulheres é crucial, pois a manifestação dos problemas pode diferir significativamente em relação aos homens.
Egle Costa explica que, enquanto os homens costumam ter problemas em grandes artérias, nas mulheres é mais frequente o comprometimento de vasos menores, o que pode dificultar a identificação em exames tradicionais. Ela também ressalta que fatores de risco, como diabetes e hipertensão, tendem a ter um impacto mais acentuado no organismo feminino, com mulheres diabéticas apresentando um risco cardiovascular mais elevado do que os homens na mesma condição.
Outros aspectos que podem influenciar a saúde cardiovascular feminina incluem alterações hormonais ao longo da vida. Condições como síndrome dos ovários policísticos, endometriose, miomas, menopausa precoce, lúpus e enxaqueca crônica também estão associadas a um aumento do risco cardiovascular. A cardiologista enfatiza que o modelo de prevenção cardiovascular deve ser adaptado às características biológicas e hormonais das mulheres, em vez de ser uma mera adaptação das diretrizes voltadas aos homens.
A abordagem ao cuidado cardiovascular feminino deve ser multidisciplinar, envolvendo profissionais como cardiologistas e ginecologistas, a fim de garantir um tratamento mais eficaz e seguro. A interrupção do tratamento, por exemplo, pode ocorrer devido ao desconforto causado pelos efeitos colaterais dos medicamentos, levando a um aumento do risco de complicações cardiovasculares.
Com a busca por tratamentos mais adequados, novas pesquisas estão sendo realizadas para desenvolver medicamentos que atendam melhor às necessidades do organismo feminino. Um exemplo é o levanlodipino, que foi criado para atuar com menor carga química e reduzir os efeitos colaterais associados ao tratamento da hipertensão. Estudos indicam que essa nova abordagem pode levar a uma redução significativa de inchaços nos pés e tornozelos, favorecendo o seguimento do tratamento a longo prazo.