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Intervenção no petróleo

Após euforia da captura de Maduro, Trump recua de promessa de 'administrar' Venezuela, mas mantém interesse no petróleo e ameaças ao novo regime. Após...

Após euforia da captura de Maduro, Trump recua de promessa de 'administrar' Venezuela, mas mantém interesse no petróleo e ameaças ao novo regime.

Após captura de Maduro, Trump recua de 'administrar' a Venezuela, mas persiste no interesse petrolífero. Ameaças ao novo regime e repercussão internacional moldam o cenário.

Um dia após o discurso eufórico em que prometeu que os Estados Unidos iriam “administrar” a Venezuela e controlar seus negócios de petróleo, o presidente Donald Trump foi prontamente desmentido por seu secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo Rubio, não haverá governo norte-americano em Caracas, e o tom de ameaça à nova presidente, Delcy Rodriguez, substituiu a arrogância inicial de tomada de poder.

Contudo, a infâmia imperialista anunciada por Trump não se dissipou por completo, com a certeza da continuidade do bloqueio aos navios petroleiros e a intenção explícita de lucrar com a economia venezuelana.

Diferente de outras ocasiões em que interesses econômicos foram mascarados por motivações de libertação democrática, a violenta troca de comando no regime venezuelano visa, de forma clara e exclusiva, a extração máxima de proveito das vastas reservas de petróleo. A restauração da democracia sequer foi mencionada no pronunciamento de Trump e não parece integrar os planos dos EUA para a Venezuela. Tais planos, se é que seguem alguma lógica, parecem reprisar a Doutrina Monroe, invertendo sua função original de proteção das Américas para uma de hipetrofia do poder estadunidense e sua ingerência na América Latina e no Caribe.

A Reação Venezuelana e o Cenário Político

Diante da abdução de Maduro e da incerteza sobre o futuro, a população venezuelana corre aos supermercados para estocar água, comida e produtos de higiene. A súbita alegria pela liberdade de um tirano rapidamente cedeu lugar à percepção de que pouco mudará sob um eventual governo de Delcy Rodriguez, que já é reconhecida por militares e parte da comunidade internacional, inclusive pela Casa Branca, como sucessora de Maduro.

O sinal é claro: a oposição que venceu as últimas eleições presidenciais, fraudadas pelo regime de Maduro, não terá espaço tão cedo, a menos que a vontade supremacista de Trump pelo controle do petróleo não seja respeitada por Rodriguez.

O regime pode prosseguir igual, ou pior, em termos repressivos, com ou sem a chancela norte-americana. Esquecendo-se rapidamente de suas declarações anteriores, Donald Trump avisou publicamente a Rodriguez que ela “pagará caro se não fizer o que é certo, provavelmente maior que Nicolás Maduro”.

Essa ameaça revela a crença de que a Venezuela está à sua disposição, mas Trump não demonstra ter um plano definido para o que havia anunciado antes.

As fortes reações internacionais, especialmente da China, e as críticas dentro de seu próprio país, talvez tenham demovido, por ora, suas pretensões mais radicais. No início do segundo ano de mandato e com eleições para o Congresso e governos estaduais pela frente, Trump não hesita em capitular diante de uma realidade mais complexa do que seus delírios intervencionistas.

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