Única sobrevivente da família, a criança foi encontrada sozinha após o acidente que deixou dezenas de mortos e levanta questões sobre a segurança ferroviária.
Uma menina de seis anos perdeu pais, irmão e primo em um descarrilamento de trem na Espanha, sendo a única sobrevivente de sua família.
Uma menina de apenas seis anos foi a única sobrevivente de sua família em um trágico descarrilamento de trens na Espanha, que resultou na morte de ao menos 40 pessoas. A criança, que perdeu os pais, o irmão de 12 anos e um primo de 23, foi encontrada desorientada e sozinha entre os destroços do acidente, ocorrido na tarde de domingo.
A notícia de sua sobrevivência trouxe um breve alívio em meio à devastação que atingiu dezenas de famílias.
A família, conhecida na comunidade de Aljaraque, perto de Huelva, viajava a lazer. Eles haviam ido a Madri para assistir a uma partida de futebol e comemorar a vitória do Real Madrid.
No domingo, embarcaram em um trem de alta velocidade da Renfe para retornar a Huelva, sem imaginar o destino cruel que os aguardava. Por volta das 19h45, um trem da Iryo descarrilou e colidiu com a composição da Renfe que seguia no sentido contrário, na região de Adamuz, Córdoba.
Milagrosamente, a menina conseguiu sair do vagão destruído por uma das janelas, sofrendo apenas ferimentos leves que exigiram três pontos na cabeça. Inicialmente, houve uma falsa esperança de que seu irmão também estivesse internado, mas essa informação foi desmentida, confirmando a perda de toda a sua família imediata. A avó, que se deslocou ao local do acidente, foi informada de que a neta estava bem, um pequeno consolo diante da imensa tragédia.
Investigação e Alertas Ignorados
As causas exatas do acidente ainda estão sob investigação, mas um elemento crucial foi identificado no local: uma junta quebrada, responsável pela ligação entre os trilhos. Indícios sugerem que essa falha estrutural, que teria provocado uma abertura gradual entre as partes do trilho, já existia há algum tempo e pode ter sido a causa direta do descarrilamento.
A tragédia ganhou um novo e preocupante contorno com a revelação de que o sindicato espanhol de maquinistas (SEMAF) havia alertado sobre “desgaste severo” nos trilhos da região em agosto do ano passado. Em uma carta enviada à Administradora de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), o sindicato apontava sinais claros de deterioração, como buracos e desequilíbrios, que causavam avarias frequentes.
Esses alertas contrastam fortemente com as declarações iniciais do ministro dos Transportes, Óscar Puente, que classificou o acidente como “extremamente estranho”. Puente destacou que o trecho era reto, o trem “praticamente novo” e a via havia passado por obras recentes, com investimentos significativos concluídos em maio do ano passado.
No entanto, a carta do sindicato, datada de agosto de 2023, levanta sérias dúvidas sobre a eficácia dessas intervenções e a atenção dada aos avisos de segurança. O caso continua em apuração, com a comunidade e o país buscando respostas e justiça para as vítimas.