Protestos em diversas capitais exigem fim do feminicídio e políticas eficazes após onda de casos brutais que chocam o país.
Milhares de mulheres foram às ruas em várias cidades brasileiras neste domingo, denunciando a escalada da violência de gênero e cobrando ações urgentes do poder público.
Milhares de mulheres tomaram as ruas de diversas cidades brasileiras neste domingo, em um forte clamor contra a escalada da violência de gênero e a inação do poder público. Manifestações ocorreram em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Florianópolis, impulsionadas por uma série de casos recentes de brutalidade que chocaram a nação.
Entre os casos que mobilizaram a sociedade, destaca-se o assassinato de Alline de Souza Pedrotti, funcionária de uma escola no Rio, morta por um colega de trabalho em novembro. Sua irmã, Aline Pedrotti, presente no protesto em Copacabana, exigiu mudanças na legislação. Em São Paulo, a violência extrema contra Taynara Souza Santos, atropelada e arrastada pelo ex-namorado, resultou na amputação de suas pernas e gerou indignação massiva. Em Florianópolis, o estupro e estrangulamento da professora Catarina Kasten, também em novembro, reforçou a urgência dos protestos. “Esses casos foram a gota d’água”, afirmou Isabela Pontes, manifestante na Avenida Paulista.
Escalada da Violência e Dados Alarmantes
Números oficiais corroboram a gravidade da situação. O relatório 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que mais de um terço das brasileiras sofreu algum tipo de violência sexual ou de gênero no último ano, o maior índice desde 2017.
Em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios, um recorde desde a tipificação do crime em 2015. A capital paulista, por exemplo, foi palco de um a cada quatro feminicídios consumados no estado, com um aumento de 23% nos dez primeiros meses de 2025 em comparação com o ano anterior, e de 71% em relação a 2023.
Juliana Martins, especialista em violência de gênero e diretora de relações institucionais do Fórum, observa que a crueldade dos ataques também tem se intensificado. Ela sugere que as transformações sociais que ampliam os direitos e a representatividade feminina podem gerar “respostas violentas que buscam forçar a subordinação das mulheres”.
As manifestações deste domingo reforçaram o pedido por políticas públicas mais eficazes, proteção abrangente às vítimas e rigorosa responsabilização dos agressores, em um cenário onde a violência de gênero no Brasil atinge níveis alarmantes e exige uma resposta imediata e contundente.