Carlos Neves, à frente do Tribunal de Contas de Pernambuco, propõe regulamentação para gastos com eventos e foca em diálogo com gestores para evitar danos ao erário.
O novo presidente do TCE-PE, Carlos Neves, criticou os altos cachês de shows municipais, defendendo a prevenção de danos ao erário e o diálogo com gestores.
O recém-empossado presidente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), Carlos Neves, levantou uma crítica contundente aos valores elevados dos cachês pagos por prefeituras em shows e defendeu uma abordagem mais preventiva do órgão de controle. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa João Alberto na Jornal, da TV Jornal, exibida no último sábado (10), mas a matéria foi publicada no domingo (11).
Neves, que estará à frente do TCE-PE no biênio 2026-2027, delineou sua visão para a instituição, priorizando a orientação e o diálogo com os gestores públicos. O objetivo central é atuar antes que o prejuízo ao erário se materialize, reforçando a ideia de que a prevenção é mais eficaz do que a correção posterior.
“É muito mais importante prevenir do que correr atrás depois do prejuízo”, afirmou o presidente, sublinhando que essa diretriz resgata a concepção original dos tribunais de contas no Brasil. Ele enfatizou a necessidade de o órgão não ser apenas um fiscalizador punitivo, mas um parceiro na boa gestão pública.
Foco na Prevenção e Diálogo com Municípios
A estratégia de prevenção, segundo Carlos Neves, exige uma compreensão aprofundada da realidade administrativa dos municípios pernambucanos. Ele destacou que as decisões do tribunal devem considerar os impactos concretos e práticos, alinhando-se aos preceitos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), que orienta os julgadores a avaliar as consequências de seus atos.
A intenção do TCE-PE, sob sua nova liderança, é discutir uma regulamentação para os gastos com eventos culturais, visando a transparência e a razoabilidade nos valores praticados. Essa medida busca equilibrar a promoção cultural nos municípios com a responsabilidade fiscal e o uso adequado dos recursos públicos.
A postura de Carlos Neves sinaliza uma mudança de paradigma no TCE-PE, buscando uma atuação mais proativa e colaborativa. Ao focar na prevenção e no diálogo, o tribunal espera contribuir de forma mais efetiva para a saúde financeira dos municípios e para a eficiência da gestão pública em Pernambuco, evitando que recursos essenciais sejam desviados ou mal empregados.