A partir da 2ª quinzena de julho, o Alta Diagnósticos, uma marca da Dasa, começará a disponibilizar o medicamento Leqembi (lecanemabe) para pacientes diagnosticados com Alzheimer em estágio inicial. O preço inicial para o tratamento será de R$ 12.000 a cada duas doses, podendo chegar a R$ 23.000, dependendo do peso do paciente, uma vez que a dosagem é calculada em função do quilo do paciente.
O atendimento será realizado na rede privada e requer prescrição médica, além da análise de critérios clínicos que determinam a elegibilidade do paciente. O lecanemabe é um medicamento biológico que atua contra a proteína beta-amiloide, cuja acumulação é uma das causas da formação de placas associadas à doença de Alzheimer. O registro do medicamento foi concedido pela Anvisa em dezembro de 2025, e o fabricante afirma que o tratamento já foi aprovado em pelo menos 48 países.
O principal objetivo do Leqembi é desacelerar a progressão da doença, não revertendo as perdas cognitivas já existentes. Portanto, os pacientes podem não perceber uma melhora imediata em sua memória ou desempenho cognitivo. O medicamento visa retardar o declínio cognitivo e funcional, similar ao que ocorre com o donanemabe (Kisunla), outro anticorpo monoclonal antiamiloide que também é aprovado no Brasil.
Um ensaio clínico que envolveu 1.795 participantes na América do Norte, Europa e Ásia demonstrou uma redução de 27% no declínio e no comprometimento clínico ao longo de 18 meses, conforme dados fornecidos pela Biogen. A indicação para o uso do Leqembi é restrita a fases iniciais da doença, como comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer. O perfil de paciente que pode ser tratado inclui aqueles que apresentam alterações sutis de memória e cognição, percebidas tanto por eles mesmos quanto por seus familiares, sem que haja um prejuízo significativo na autonomia para realizar atividades básicas.
O atendimento será conduzido pelo Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos, que contará com uma estrutura adequada para o tratamento, incluindo biomarcadores em sangue e líquor, PET-CT cerebral (tomografia por emissão de pósitrons combinada com tomografia computadorizada) e teste genético APOE4, que serão utilizados para avaliação antes e durante o uso da terapia. A aplicação do medicamento será realizada por infusões intravenosas a cada duas semanas, com uma dose de 10 mg/kg, em um ambiente especializado, e a duração do procedimento será de cerca de uma hora.
Antes de iniciar o tratamento, é necessário confirmar a presença da patologia amiloide no paciente, por meio de um PET scan ou análise do líquor. No momento, o acesso ao medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é considerado inviável, devido ao alto custo, à logística complexa e à necessidade de centros de infusão e equipes treinadas para monitorar possíveis efeitos colaterais, conforme detalhado no texto-base.