PF ouve figuras-chave na investigação sobre supostas fraudes bilionárias, com foco em operações com o BRB e créditos questionáveis.
Oito investigados no caso Banco Master depõem à PF nesta semana, em inquérito que apura supostas fraudes bilionárias e operações com o BRB.
A Polícia Federal (PF) realiza nesta semana uma nova rodada de depoimentos no âmbito do inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Oito indivíduos, cujos nomes foram relacionados à Operação Compliance Zero, serão ouvidos entre segunda (26) e terça-feira (27), em uma etapa crucial das apurações que correm sob a supervisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Inicialmente, a expectativa era de um número maior de oitivas, incluindo um novo depoimento do proprietário do banco, Daniel Vorcaro. No entanto, uma decisão de Toffoli reduziu o prazo para as diligências, levando a PF a ajustar seu cronograma e excluir Vorcaro desta fase. Os depoimentos ocorrerão por videoconferência ou presencialmente no STF, com três dos investigados optando pela modalidade presencial.
O Coração da Investigação: Créditos Inexistentes e Operação Compliance Zero
A essência do inquérito reside na suspeita de venda de R$ 12,2 bilhões em créditos que os investigadores consideram inexistentes, do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Daniel Vorcaro já havia sido ouvido em 30 de dezembro, juntamente com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e um diretor de Fiscalização do Banco Central.
Posteriormente, Vorcaro e Costa participaram de uma acareação para esclarecer as divergências sobre essas operações bilionárias.
A investigação teve um marco importante com a Operação Compliance Zero, deflagrada em 17 de novembro do ano passado, que resultou na prisão temporária de Vorcaro, solto dias depois sob monitoramento eletrônico. Essa operação inicial focou na tentativa de venda do Banco Master ao BRB, levantando indícios de irregularidades.
Entre os que serão ouvidos, estão figuras como Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, apontado como um dos principais articuladores junto ao BRB e controlador de associações usadas para justificar falsamente a origem de créditos. Henrique Souza e Silva Peretto, proprietário da Tirreno, empresa que a PF suspeita ser de fachada com capital social inflado, também prestará depoimento, assim como outros ex-diretores e funcionários do Master e do BRB.
As defesas dos investigados têm negado a prática de irregularidades.
Este ciclo de depoimentos busca aprofundar a compreensão sobre os fluxos financeiros, a validade dos créditos e a participação de cada envolvido nas supostas manobras que teriam gerado liquidez artificial para o Banco Master, tudo em um cenário de alta complexidade no sistema financeiro nacional.