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Operação Janus investiga propinas do PCC a policiais em São Paulo

Delegacias de São Paulo são alvo de investigação por supostos pagamentos de propina em dinheiro vivo, relacionados a um esquema de lavagem de dinheiro...

A Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo na manhã de 21 de julho, investiga supostos pagamentos de propina realizados em dinheiro por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) a policiais e delegacias da capital paulista. As investigações apontam que os criminosos optavam por pagamentos em espécie para evitar rastreamentos por transferências bancárias.

Mensagens entre os acusados revelam que o objetivo dos pagamentos seria garantir o silêncio das autoridades e proteger um esquema de lavagem de dinheiro operado pela facção criminosa. O 13° Distrito Policial (Casa Verde), o 39° Distrito Policial (Vila Gustavo), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e uma Delegacia Seccional da zona norte foram mencionados como possíveis receptores das propinas.

Até o momento, 11 pessoas foram presas, incluindo Bruno Ramos Fernandes, que é acusado de facilitar o fluxo financeiro do que foi descrito como um “banco paralelo”. Mensagens trocadas entre Bruno e Robson Martins de Souza, uma das figuras centrais no esquema, indicam discussões sobre a necessidade de arrecadar dinheiro em espécie para pagar os policiais do 13° e do 39° DPs, além de uma Delegacia Seccional.

Os suspeitos utilizaram um código para ocultar os valores reais das transações, removendo o último dígito dos montantes. Dessa forma, mencionaram pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil às delegacias. Em uma das mensagens, Robson Martins destacou que um pagamento de R$ 15 mil deveria ocorrer mensalmente para a Delegacia Seccional.

Em outra conversa, Cleber Azevedo dos Santos, identificado como peça chave ao lado de Robson, pediu a Bruno Fernandes que separasse R$ 50 mil para “pagar a polícia”, conforme documentos do MPSP. A Secretaria da Segurança Pública, quando contatada, não se manifestou sobre as alegações apresentadas.

Uma conversa entre Cleber Azevedo e o doleiro Raphael Flores Rodriguez, ocorrida em 15 de junho, ilustrou a relação entre o Deic e a prática de propinas. O doleiro, ao receber uma foto do interior do Deic, fez uma ironia, sugerindo que a delegacia funcionava mais como um banco, afirmando que “isso aí não é delegacia, é banco. Só que só deposita, nunca saca”.

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