Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, manifestou indignação em relação à decisão da juíza Elizabeth Louro, que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe da criança assassinada aos 4 anos no Rio de Janeiro. Em entrevista ao Acorda, Metrópoles, nesta terça-feira (10/6), Leniel afirmou que recorrerá da decisão e continuará sua luta por justiça.
Henry Borel foi brutalmente torturado até a morte em 8 de março de 2021, após sofrer pelo menos seis agressões do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, que era casado com Monique. A mãe foi condenada por omissão em relação à tortura de seu filho, tendo a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, que não envolve a intenção de matar. Apesar disso, a juíza decidiu conceder perdão judicial a Monique.
O júri popular considerou Dr. Jairinho culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação, resultando em uma condenação de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. Para Leniel Borel, a decisão da magistrada foi parcial e desconsiderou o sofrimento de Henry, que, segundo ele, foi ofuscado no julgamento, que focou apenas em Monique e Jairinho.
"Esqueceram que ali foi uma criança que foi vítima e perdeu a sua vida. O que vimos ali foi um grande absurdo com o Henry e com a nossa família. Esqueceram disso e trouxeram para o foco do processo só a Monique e o Jairo", destacou Leniel.
Recentemente, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também recorreu da decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), que havia concedido perdão a Monique Medeiros. A professora foi libertada da prisão na semana passada. Ao proferir a sentença, a juíza Elizabeth Machado argumentou que Monique já havia enfrentado um castigo severo devido aos julgamentos que sofreu ao longo dos cinco anos que o caso levou para ser resolvido.
A juíza mencionou as agressões que Monique sofreu enquanto estava presa e apontou um "massacre nas redes sociais". Ela ainda afirmou que, se Monique fosse um homem, a situação seria tratada de maneira diferente pela sociedade.