A Petrobras confirmou que irá retomar a importação de diesel no final de junho, após um período em que a empresa atendeu à demanda interna utilizando exclusivamente sua produção. Nos meses de abril e maio, a estatal não realizou compras externas do combustível, conforme anunciado em nota oficial.
Atualmente, a dependência do Brasil em relação ao diesel importado é de aproximadamente 25% a 30% da demanda total. A Petrobras é responsável por cerca de 70% do abastecimento desse mercado, equilibrando a produção interna com importações, quando necessário. O cenário internacional, especialmente devido ao conflito no Oriente Médio iniciado em 28 de fevereiro, tem impactado as cotações do combustível, o que levou a empresa a suspender as importações temporariamente para não repassar a volatilidade dos preços aos consumidores.
Os preços do diesel praticados pela Petrobras estão defasados em relação ao mercado externo. De acordo com cálculos de uma consultoria, o diesel vendido pela estatal é R$ 1,64 mais barato do que o produto importado, representando uma diferença de 50,3%. No que diz respeito à gasolina, a defasagem é de R$ 0,82, ou 32,1%. Em 31 de maio, a companhia anunciou uma redução de R$ 0,3515 no preço do diesel, parte de um novo modelo de subsídio que começou a valer em 1º de junho, substituindo a isenção de impostos federais que foi reinstaurada na mesma data.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou que a meta da empresa é alcançar a autossuficiência na produção de diesel no Brasil, eliminando assim a necessidade de importações futuras. Para isso, a estatal planeja expandir a capacidade de suas refinarias, com foco na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
No plano de negócios para o período de 2026 a 2030, a Petrobras prevê investimentos de US$ 20 bilhões nas áreas de refino, transporte e comercialização. A expectativa é que a empresa consiga atender 80% da demanda nacional de diesel com produção própria até 2030. Entretanto, Chambriard afirmou que o objetivo é atingir 100% de autossuficiência nos próximos cinco anos.