A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou, na terça-feira (28), a Operação Dupla Identidade para desarticular esquema de fraudes no primeiro emplacamento de veículos zero quilômetro nas Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) do Cabo de Santo Agostinho e de Paulista, unidades de atendimento descentralizadas do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE), ambas na Região Metropolitana do Recife (RMR).
A ação cumpriu um mandado de prisão preventiva, cinco mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento de quatro servidores, monitorados por tornozeleira eletrônica.
Os detalhes das investigações foram apresentados na manhã desta quarta-feira (29), durante coletiva de imprensa realizada na sede da corporação, no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife.
Participaram da apresentação os delegados Diego Pinheiro, titular do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco); Ivaldo Pereira, gestor da Diretoria Integrada Especializada (Diresp); e Júlio César, adjunto da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor/Dracco).
Durante a coletiva, foi revelado que o crime principal da investigação é a inserção de dados falsos em sistemas informatizados da administração pública, previsto no artigo 313-A do Código Penal.
“A dinâmica do crime era basicamente a seguinte: havia carros sendo fabricados ainda nas concessionárias ou nas montadoras. E, no Detran, nesses dois Ciretrans, existiam pelo menos dois funcionários, o atendente e o controle de qualidade, que atendiam o primeiro emplacamento, do carro zero”, iniciou o delegado Júlio César.
“Ou seja, um era responsável pela conferência oficial, da documentação necessária para emplacar o carro pela primeira vez, e o segundo era responsável por fazer toda a conferência, checar mais uma vez, revisar todo aquele processo de emplacamento para validar no sistema”, completou.
De acordo com a PCPE, as identidades dos cinco investigados alvos da operação não foram divulgadas devido ao sigilo da investigação, que segue em andamento.
A medida serve para evitar interferências nas diligências e garantir a identificação de outros possíveis participantes do esquema criminoso.
Fonte: FolhaPE