A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado (MPSP) e declarou réu o policial militar Paulo Junior Soares de Carvalho, acusado de matar o ambulante senegalês Ngange Mbaye durante uma operação na região do Brás, em abril do ano passado.
Inicialmente, a ação foi arquivada em fevereiro deste ano, após a Justiça acatar um pedido da promotoria, que entendia que o sargento havia agido em legítima defesa. Contudo, a família de Mbaye, assistida pela Defensoria Pública do Estado (DPE-SP), solicitou a reabertura do caso. Em abril, o procurador-geral de Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa promoveu o desarquivamento e alterou o promotor responsável pela acusação.
Com a nova abordagem, a promotoria denunciou o sargento por homicídio simples. Na segunda-feira, 25 de maio, a juíza Ana Luisa Marcondes Esteves, da 1ª Vara do Júri da Capital, aceitou a denúncia, tornando o policial réu na Justiça comum.
A morte de Ngange Mbaye, que ocorreu na Rua Joaquim Nabuco, foi precedida por uma abordagem da PM durante uma fiscalização do comércio local. De acordo com a versão da corporação, Mbaye teria reagido à abordagem, o que motivou a intervenção dos policiais. O comerciante foi baleado e encaminhado ao Hospital Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos. Um policial militar também ficou ferido e foi levado ao Hospital Nossa Senhora do Pari, embora seu estado de saúde não tenha sido informado.
Imagens de câmeras de segurança mostraram que, no momento da abordagem, Mbaye não estava vendendo mercadorias. Ele havia acabado de realizar um pagamento em um restaurante e se dirigia ao seu carrinho. O incidente gerou protestos entre comerciantes na região, culminando em confrontos com a PM, que mobilizou mais de 100 Agentes do Choque, que utilizaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.