A convivência com as redes sociais ao longo de 20 anos gerou reflexões sobre a natureza humana e a tentação de ler comentários online, mesmo sabendo que isso pode resultar em frustração. Com 34 anos de vida, um imigrante brasileiro relata sua experiência, destacando a dificuldade de evitar a leitura de comentários, especialmente em contextos sensíveis como o da imigração. Ele reconhece que, apesar de seu conhecimento sobre os efeitos negativos dessa prática, a curiosidade e a atração pelo que é sádico o levam a continuar se expondo a esse tipo de conteúdo.
Entre Brasil e Portugal, o autor observa como o discurso de ódio e preconceito se espalha nas redes sociais, especialmente em tempos de ascensão da ultradireita. Ele menciona conversas passadas durante seu doutorado, onde discutiu a ideologia de gênero e suas repercussões no Brasil. Mesmo com essa bagagem teórica, a leitura de comentários ainda gera um impacto emocional significativo, refletindo a maldade e a ignorância presentes na sociedade.
No entanto, ao se distanciar das redes sociais, o autor faz uma série de novas descobertas. Ele relata experiências positivas com pessoas que encontrou ao longo de sua jornada em Lisboa. Desde a ajuda de um funcionário da Livraria da Travessa, que demonstrou conhecimento sobre a literatura brasileira, até o acolhimento de vizinhos que lhe ofereceram apoio e amizade, essas interações mostraram a ele que a realidade é muito mais rica e acolhedora do que a percepção gerada pelos comentários online.
As pequenas interações que ele vivenciou, como receber um prato de comida e flores de uma vizinha ou a gentileza de um colega italiano que o convidou para um café, são contrastes marcantes em relação à hostilidade que muitas vezes se encontra nas redes sociais. Essas experiências reforçam a ideia de que a convivência e as relações interpessoais são fundamentais para o aprendizado e o crescimento pessoal.
O autor conclui que, longe das opiniões cruéis e distorcidas que dominam os comentários online, ele descobre que há muitas coisas a aprender e que esse caminho de aprendizado é agradável. A reflexão sobre o que se sabe e o que ainda não se sabe é uma jornada que ele valoriza, revelando que, em meio à ignorância, existem também muitas razões para se alegrar.