Dez anos após o referendo que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia, o governo trabalhista, liderado por Keir Starmer, mantém o foco na reaproximação com o bloco europeu. Entretanto, a busca por reduzir as fricções econômicas enfrenta dificuldades em virtude das "linhas vermelhas" estabelecidas, que restringem a possibilidade de acordos mais abrangentes.
Starmer, que assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2024, comprometeu-se a "fazer o Brexit funcionar" sem considerar a reintegração do Reino Unido à União Europeia, ao mercado único, à união aduaneira ou ao sistema de livre circulação de pessoas. O plano apresentado pelo governo, embora tenha sido considerado vago, incluía propostas para um acordo veterinário, visando a diminuição de controles nas fronteiras e a redução de custos de produtos alimentícios, além do reconhecimento mútuo de qualificações profissionais.
No entanto, passados dois anos, os objetivos propostos ainda não foram concretizados. Atualmente, o governo britânico está em negociações apenas para um acordo fitossanitário, o qual tem como objetivo facilitar a importação e exportação de produtos agroalimentares. A analista Jannike Wachowiak destacou que um governo que se compromete a respeitar as linhas vermelhas não dispõe de muita flexibilidade nas negociações.
Wachowiak também menciona que, mesmo que Andy Burnham, conhecido por suas posturas favoráveis à Europa, venha a suceder Starmer, os desafios permanecerão inalterados, especialmente devido ao tempo necessário para as negociações técnicas com a União Europeia. Com a proximidade das eleições gerais, previstas para daqui a três anos, não está claro que mudanças poderiam ocorrer para melhorar substancialmente a relação com o bloco europeu nesse período.
A ex-servidora pública Jill Rutter enfatizou que o debate sobre o retorno à UE ganhou força, uma vez que, após dez anos, ficou evidente que o Brexit não trouxe as melhorias esperadas no padrão de vida da população britânica. Diversas pesquisas revelam que a opinião pública está se inclinando a favor de um retorno à União Europeia, embora muitos defendam condições especiais que foram previamente asseguradas em áreas como política monetária e segurança.
Um levantamento realizado pelo King's College London sugere que a proposta de um segundo referendo sobre a relação do Reino Unido com a UE poderia aumentar o potencial de votos para o Partido Trabalhista de 31% para 45%. Contudo, é necessário cautela em relação a essas intenções, considerando a situação econômica delicada do país e o alto custo de vida enfrentado pela população.