Ação militar dos EUA na Venezuela divide opiniões no Senado brasileiro sobre soberania e direito internacional.
A prisão de Nicolás Maduro pelos EUA na Venezuela gerou forte divergência entre senadores brasileiros, levantando debates sobre soberania e direito internacional.
A prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma ação militar dos Estados Unidos no sábado (3), gerou uma onda de debates e divisões no Senado brasileiro. A notícia da captura, que os levou aos EUA para enfrentar acusações de tráfico de drogas e terrorismo, polarizou as opiniões entre parlamentares governistas, que condenaram a ação como uma violação da soberania, e membros da oposição, que celebraram o fim de um regime autoritário.
Parlamentares alinhados ao governo brasileiro manifestaram profunda preocupação, classificando a intervenção norte-americana como um ataque direto à soberania e independência da Venezuela. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu uma ação imediata da comunidade internacional para proteger a soberania venezuelana e evitar que episódios semelhantes ocorram na América Latina, alertando para o controle do petróleo como o verdadeiro foco da ação.
Humberto Costa (PT-PE) reforçou que a atitude dos EUA ameaça a paz mundial e o multilateralismo, enquanto Renan Calheiros (MDB-AL) e Zenaide Maia (PSD-RN) pediram condenação mundial e alertaram para o precedente perigoso, citando interesses petrolíferos em vez de defesa da democracia.
Em contraste, a oposição no Senado celebrou a prisão de Maduro, expressando a esperança de que o evento marque o início da reconstrução democrática da Venezuela. Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, defendeu que a política externa brasileira deve ser pautada pela defesa da democracia e dos direitos humanos. Mecias de Jesus (Republicanos-RR), senador por Roraima, estado fronteiriço com a Venezuela, parabenizou o presidente Donald Trump por enfrentar a ditadura e ressaltou o impacto da crise migratória no Brasil. Marcos Rogério (PL-RO) desejou que a queda de Maduro signifique o fim da perseguição e a devolução da dignidade ao povo venezuelano.
Complexidade Geopolítica e Apelo à Diplomacia
Apesar das posições antagônicas, alguns senadores alertaram para a complexidade da situação e os riscos inerentes à ação militar, independentemente do regime venezuelano. Eduardo Braga (MDB-AM) destacou que não há um “lado positivo”, prevendo perdas para todos os envolvidos e defendendo a diplomacia como o único caminho.
Otto Alencar (PSD-BA) criticou ambos os líderes, Maduro por fraudar eleições e Trump por usar a força contra a soberania, concluindo que “dois errados nunca acertam” e que a ação abre precedentes perigosos para outras nações.
Diante dos desdobramentos, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado divulgou nota expressando preocupação com a situação na fronteira e com os brasileiros em território venezuelano. O presidente da CRE, Nelsinho Trad (PSD-MS), indicou a possibilidade de reuniões extraordinárias para acompanhar a crise.
No cenário internacional, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, foi declarada presidente interina, e o Conselho de Segurança da ONU debate o tema em sessão extraordinária, evidenciando a escalada da tensão geopolítica.