O surto de ciclosporíase nos Estados Unidos já resultou em mais de 3,7 mil diagnósticos até a primeira semana de julho, tornando-se um dos maiores já registrados no país. Os casos, que totalizam 2026, estão espalhados por 31 estados e continuam a crescer, conforme informações do CDC, que confirmou pelo menos 843 casos, com cerca de 1,5 mil adicionais considerados suspeitos.
A infecção é provocada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, que ataca o intestino após a ingestão de alimentos ou água contaminados, levando a sintomas como diarreia aquosa intensa, descrita pelo CDC como 'explosiva' em algumas situações. O surto começou a ser monitorado em maio e ganhou força nas últimas semanas, com o estado de Michigan registrando mais de 170 casos em sete condados desde o dia 22 de junho.
O Cyclospora cayetanensis é um protozoário microscópico que não pode ser cultivado em laboratório, o que complica a análise de alimentos suspeitos. Após a ingestão, o parasita causa diarreia aquosa frequente, cólicas abdominais, perda de apetite, náuseas, inchaço e fadiga. Se não tratado com antibióticos, os sintomas podem persistir por semanas ou até meses, alternando entre períodos de melhora e piora.
Embora complicações graves sejam raras, ao menos 20 pacientes necessitaram de internação durante o surto atual. O período de incubação, que dura cerca de duas semanas, representa um desafio para as investigações, pois muitos pacientes não conseguem recordar exatamente o que consumiram. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan indicou que investigações preliminares ligam os casos ao consumo de alface ou folhas de salada cruas, mas essa relação ainda não foi confirmada.
Até o momento, nenhum produto, marca ou fornecedor específico foi identificado como origem da contaminação, e outros alimentos continuam sendo investigados. Historicamente, surtos de ciclosporíase nos EUA foram relacionados a saladas embaladas, coentro, manjericão, framboesas, ervilhas-tortas e cebolinhas. O maior surto registrado em 2020 foi associado a saladas da Fresh Express, contabilizando 701 casos em 14 estados. Em 2022, outro surto na Flórida esteve ligado a kits de salada Caesar com alface-romana.
Atualmente, o CDC investiga se o surto em curso tem uma única origem nacional ou se resulta de múltiplas cadeias de contaminação que podem ter origem internacional.