Após mais de 25 anos de negociações, o bloco europeu aprova acordo com o Mercosul, buscando autonomia frente a possíveis taxações dos EUA.
União Europeia aprova acordo com Mercosul após 25 anos, buscando no Brasil alternativa estratégica para proteína e commodities agrícolas, visando evitar futuras taxações dos EUA.
A União Europeia deu um passo decisivo nesta sexta-feira (9), aprovando o aguardado acordo comercial com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações. A decisão não apenas abre caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo, mas também sinaliza uma estratégia europeia para fortalecer sua autonomia em relação a parceiros comerciais tradicionais, como os Estados Unidos, especialmente em um cenário de possíveis políticas protecionistas.
O Brasil emerge como um pilar fundamental nesta nova configuração geopolítica e econômica. O gigante sul-americano é visto como um fornecedor estratégico de proteína animal e diversas commodities agrícolas, essenciais para a segurança alimentar e econômica da Europa. Ao estreitar laços com o Mercosul, a União Europeia busca garantir fontes de abastecimento confiáveis e menos suscetíveis a flutuações ou imposições tarifárias de outras potências.
Um Acordo com Cláusulas de Mitigação
Apesar da aprovação por maioria qualificada em Bruxelas, o acordo enfrentou resistência de alguns membros da UE, como França, Polônia e Irlanda. Esses países, com fortes setores agrícolas, expressaram preocupações sobre a concorrência e os padrões de produção.
Para endereçar essas apreensões, o texto final inclui diversas cláusulas e salvaguardas, destinadas a acalmar, em sua maioria, os micro e pequenos produtores europeus, garantindo uma transição mais suave e protegendo interesses sensíveis.
As negociações, que se arrastaram por mais de um quarto de século, foram marcadas por idas e vindas, refletindo a complexidade de alinhar os interesses de blocos econômicos tão diversos. O objetivo inicial do Mercosul era obter acesso mais barato aos produtos europeus, enquanto a UE buscava novas oportunidades de mercado e fontes de matérias-primas.
A aprovação atual, no entanto, ganha um novo contorno estratégico em um cenário global.
Para a União Europeia, este acordo representa mais do que apenas um avanço comercial; é uma declaração de intenções. Em um período de incertezas geopolíticas e de ressurgimento de discursos protecionistas, como os associados ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, a Europa busca diversificar suas opções e reduzir sua dependência.
O Mercosul, com sua vasta capacidade de produção agrícola, oferece uma alternativa robusta e um contrapeso estratégico.
A concretização deste acordo pode redefinir fluxos comerciais globais, com implicações significativas para a agricultura, indústria e serviços em ambos os blocos. Os próximos passos envolverão a ratificação individual pelos parlamentos dos países-membros, um processo que ainda pode apresentar desafios, mas que agora conta com o aval político da União Europeia.