A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, nesta terça-feira (04 de agosto de 2026). Esta ação faz parte da nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga supostos descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A investigação se concentra em operações financeiras que envolvem a esposa do senador. O advogado Willer Tomaz, considerado o principal alvo dessa fase, é suspeito de estar envolvido na lavagem de dinheiro a favor de Rocha no esquema em questão. De acordo com a PF, o senador teria um papel ativo em formular demandas, indicar beneficiários e intervir em decisões patrimoniais relacionadas ao esquema investigado.
Weverton Rocha, com 46 anos e natural de Imperatriz, assumiu seu mandato no Senado em 2019 e atualmente é vice-líder do governo. Sua trajetória política começou no movimento estudantil, onde foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes entre 2000 e 2001. Antes de ser senador, atuou como assessor na Prefeitura de São Luís e foi secretário de Esporte e Juventude do Maranhão.
O senador também teve passagem pela Câmara dos Deputados, onde exerceu dois mandatos, sendo suplente de 2011 a 2013 e titular de 2013 a 2018. Durante este período, Rocha votou contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, assim como contra a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência. Ele foi eleito para o Senado com 35% dos votos, em apoio ao ex-governador Flávio Dino. Em 2022, concorria ao governo do Maranhão, mas foi derrotado por Carlos Brandão.
A Operação Sem Desconto foi iniciada pela PF em 23 de abril de 2025, com o objetivo de investigar descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. O escândalo resultou na demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Nesta nova fase, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão em Brasília e no Maranhão, tendo apreendido uma máquina de contar dinheiro com um dos alvos.
Até o fechamento desta reportagem, o gabinete de Weverton Rocha não havia se manifestado sobre a nova fase da operação. Willer Tomaz, por sua vez, divulgou uma nota na qual afirma que a busca e apreensão está relacionada apenas à aeronave que utilizou, de forma particular, pelo senador e que não possui qualquer vínculo com as fraudes apuradas pela PF. Tomaz destacou que a disponibilização da aeronave foi uma ação pessoal e amistosa, desvinculada dos fatos investigados.