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Apelo contra a Indiferença

Papa Leão XIV faz seu primeiro discurso natalino, clamando por paz e justiça diante do sofrimento global Papa Leão XIV, em seu primeiro discurso...

Papa Leão XIV faz seu primeiro discurso natalino, clamando por paz e justiça diante do sofrimento global

Papa Leão XIV, em seu primeiro discurso natalino, clama contra a indiferença global, destacando o sofrimento em Gaza e Ucrânia, pedindo paz e acolhimento.

Líder e representante de uma das maiores religiões da história da humanidade, o Papa Leão XIV aproveitou a oportunidade da data natalina, celebração do nascimento de Jesus Cristo, para resgatar valores essenciais para o cristianismo e a fé que deve ser praticada pelos católicos. Não apenas na introspecção, mas sobretudo em direção ao outro, ao próximo, por mais distante que pareça estar.

Pedindo humildade e responsabilidade, o pontífice orou por paz, estabilidade, justiça e consolação para quem sofre com as guerras, a violência, a perseguição, o terrorismo e a pobreza, dirigindo-se diretamente aos mais atingidos: os palestinos em Gaza, os migrantes de qualquer origem e populações de países no Oriente Médio e na África.

Leão XIV exortou os fiéis em todo o mundo a abandonarem a indiferença diante dos sofredores. O reconhecimento de que os indiferentes não apenas estimulam, como fazem parte dos problemas contemporâneos, explica a ênfase papal nesta declaração. A quantidade de conflitos armados e tecnologicamente alimentados para matar pessoas, a legião de fugitivos de seus países por razões políticas e humanitárias, e a disseminação de radicalismos que se traduzem em ódio e intolerância — a soma disso tudo em nossa época deveria provocar muito mais indignação e mobilização do que se vê.

A Normalização da Indiferença

O que enxergamos há algumas décadas é a normalização das agressões aos valores humanos e às virtudes humanistas, valores e virtudes que se confundem com as lições das grandes religiões, como a cristã. A tenda de Cristo para o nascimento do messias em um estábulo, como afirmou o papa, deve recordar a todos sobre as tendas dos que padecem em Gaza, expostos ao frio e à chuva.

Em comparação corajosa para um pontífice norte-americano, diante de tantas agressões contemporâneas, Leão XIV disse que se recusar a ajudar pobres e estrangeiros é o mesmo que rejeitar o próprio Deus. A negação do acolhimento, portanto, pode ser vista como negação da fé e dos fundamentos religiosos.

Em tempos de xenofobia abertamente instalada como política de Estado, seja sob Donald Trump nos EUA ou em outras partes do planeta, como na Europa, a fala do papa ganha contornos dramáticos de apelo em prol da vida. Sua mensagem tocou ainda o horror das guerras para a juventude convocada para matar e morrer.

“Frágeis são as mentes e as vidas dos jovens forçados a pegar em armas, que nas linhas de frente sentem a insensatez do que lhes é pedido e as falsidades que enchem os discursos pomposos daqueles que os enviam para a morte”, disse, solicitando que “o clamor das armas cesse”, inclusive, na Ucrânia, invadida pela Rússia num conflito prolongado de disputa territorial gerada pelo Kremlin.

Os indiferentes à dor das guerras e seu legado de sangue transmitido a futuras gerações foram o público a quem o Papa Leão XIV se dirigiu, mas especialmente os líderes que planejam e executam matanças e torturas, através do uso da força desmedida no poder que deixa a representação coletiva para expressar o ego hipertrofiado de seus perpetradores.

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