IGP-M registra deflação anual e sinaliza menor pressão de custos para o próximo ano, enquanto IPCA se mantém dentro da meta.
A inflação do aluguel, medida pelo IGP-M, encerrou 2025 com queda de 1,05%, indicando menor pressão de custos e um cenário econômico mais brando.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou um encerramento de ano com deflação em dezembro de 2025, marcando uma queda de 0,01%. Este resultado contribuiu para que o indicador, amplamente conhecido como “inflação do aluguel” e medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulasse uma retração significativa de 1,05% ao longo do ano.
Essa performance negativa sugere um cenário de menor pressão inflacionária para o próximo ciclo econômico.
Segundo o economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), a queda acumulada de 1,05% no IGP-M em 2025 é um reflexo direto da desaceleração da atividade econômica global e de um ambiente de elevada incerteza. Esses fatores foram cruciais para limitar os repasses de custos, afetando principalmente os preços ao produtor.
Além disso, a melhoria das safras agrícolas desempenhou um papel fundamental ao aliviar os preços das matérias-primas, reforçando a tendência deflacionária observada no índice.
O IGP-M é um dos principais balizadores para a atualização de diversos contratos no Brasil, incluindo aluguéis, contas de luz e telefone, mensalidades escolares, planos de saúde e seguros. Sua metodologia de cálculo se diferencia de outros indicadores por ser medido entre os dias 21 de um mês e 20 do mês seguinte, e sua criação, no final dos anos 1980, foi uma solicitação de entidades privadas do setor financeiro, visando atender a necessidades específicas de mercado.
Cenário da Inflação Oficial (IPCA)
Em paralelo ao desempenho do IGP-M, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, também indicam um cenário de controle. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, prevê que o IPCA encerrará 2025 em 4,32%.
Embora acima da meta central de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), este resultado se mantém dentro do limite superior de tolerância de 4,5% (meta + 1,5 ponto percentual).
A convergência do IPCA para dentro do teto da meta e a deflação no IGP-M em 2025 desenham um panorama mais favorável para a economia brasileira. A sinalização de menor pressão de custos e a estabilização da inflação oficial podem influenciar positivamente as decisões de política monetária e as expectativas de mercado para 2026, potencialmente beneficiando o poder de compra e a estabilidade econômica geral.