Governo Maduro atribui explosões em Caracas à agressão militar dos Estados Unidos e decreta estado de emergência nacional.
O governo da Venezuela acusou os Estados Unidos de lançarem ataques em Caracas e outras regiões, decretando estado de emergência para defender a soberania.
O governo da Venezuela, liderado por Nicolás Maduro, atribuiu neste sábado a autoria de ataques em Caracas e em outros estados, como Miranda, Aragua e La Guaira, aos Estados Unidos. A administração venezuelana denunciou veementemente o que chamou de “agressão militar” norte-americana, ocorrendo em um contexto de crescentes ameaças de Washington e operações contra o tráfico de drogas na região.
Em nota oficial, o governo venezuelano rejeitou e repudiou os ataques, acusando Washington de buscar “se apropriar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente do seu petróleo e de seus minerais, em uma tentativa de romper à força a independência política do país”. A declaração enfatiza que tal agressão “ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas”.
Como resposta imediata à escalada de tensões, o presidente Nicolás Maduro declarou estado de emergência em todo o território nacional. A medida visa “proteger os direitos da população, garantir o pleno funcionamento das instituições republicanas e iniciar imediatamente a luta armada” contra o que o governo descreve como uma “agressão imperialista”. A convocação à mobilização nacional reforça a postura defensiva do país.
Explosões e Sobrevoos em Caracas
Moradores de Caracas relataram fortes explosões e sons semelhantes aos de aeronaves sobrevoando a capital por volta das 2h (6h em Lisboa) deste sábado. Pelo menos sete explosões foram ouvidas, levando muitos a abandonarem suas casas e procurarem refúgio nas ruas.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostravam grandes incêndios e colunas de fumaça, embora a localização exata das explosões, que pareciam concentradas no sul e leste da cidade, não pudesse ser confirmada de imediato.
Este incidente ocorre em um período de intensificação da pressão militar dos EUA sobre a Venezuela. Em 22 de dezembro, o então presidente Donald Trump sugeriu que seria “sensato” Nicolás Maduro deixar o poder, enquanto Washington aumentava suas operações para conter o narcotráfico.
Na semana anterior, Trump havia afirmado que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por navios supostamente envolvidos com o tráfico de drogas na Venezuela, marcando uma possível primeira operação terrestre.
Adicionalmente, na sexta-feira, o presidente colombiano Gustavo Petro reportou que um míssil norte-americano atingiu um alvo na região venezuelana de Alta Guajira, fronteiriça com a Colômbia, como parte da campanha antidrogas dos EUA. Os eventos recentes sublinham a volatilidade da situação na Venezuela e a crescente tensão entre Caracas e Washington.