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Lula quer usar aproximação com Motta para impulsionar fim da escala 6×1

Governo busca apoio de Hugo Motta na Câmara para aprovar fim da jornada 6×1 e fortalecer campanha de reeleição. O governo Lula articula com...

Governo busca apoio de Hugo Motta na Câmara para aprovar fim da jornada 6×1 e fortalecer campanha de reeleição.

O governo Lula articula com Hugo Motta na Câmara para aprovar o fim da escala 6×1, visando apelo popular e reforço para a reeleição presidencial.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca capitalizar a recente reaproximação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para impulsionar a aprovação de um projeto de lei que visa o fim da escala de trabalho 6×1. O Planalto enxerga na proposta um forte apelo popular, acreditando que sua concretização pode fortalecer a campanha de reeleição do petista, prevista para outubro de 2026.

A aproximação entre Motta e o governo Lula é vista como uma estratégia do presidente da Câmara para garantir sua permanência na liderança da Casa e expandir sua influência política na Paraíba em 2026. Nesse contexto, o diálogo foi retomado com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), que havia rompido relações com Motta no auge da crise entre o governo e a Câmara no final de 2025. Lindbergh tem sido o articulador das conversas sobre a jornada de trabalho, argumentando o potencial protagonismo de Motta ao pautar uma matéria de grande apoio social.

Desafios e Estratégias Governamentais

Apesar do otimismo, há incertezas no núcleo do governo sobre a disposição de Motta em enfrentar a pressão esperada de setores empresariais, especialmente do setor de serviços, que serão contrários à proposta. Além disso, avalia-se que mesmo com o apoio de Motta, a aprovação não é garantida, dada a menor capacidade de controle do plenário da Câmara em comparação com gestões anteriores.

Contudo, para parte do governo, apenas pautar o tema já representa uma vitória política, capaz de expor a posição de parlamentares da direita e do centrão perante a opinião pública.

Para mitigar a resistência de parlamentares e do empresariado, o governo Lula planeja propor um período de transição para a implementação da nova jornada. O Planalto percebe um momento favorável na opinião pública para o debate e teme perder o “timing” caso a discussão seja adiada para 2027, mesmo em um cenário de eventual reeleição presidencial.

A iniciativa de redução da jornada de trabalho, inicialmente abordada por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), foi reorientada pelo Planalto. O foco agora é um projeto de lei, considerado mais célere no Congresso, pois requer apenas maioria simples para aprovação, em contraste com os dois terços exigidos para PECs.

O projeto encampado pelo governo é de autoria do deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria. Seu texto propõe a redução da jornada semanal de até 44 para até 40 horas, garantindo dois dias consecutivos de descanso remunerado.

A proposta veda expressamente a redução salarial e estabelece uma transição de dois anos: 42 horas semanais em 2027 e 40 horas a partir de 2028, se aprovado.

O fim da escala 6×1 integra um pacote de prioridades legislativas do governo Lula para o Congresso neste período pré-eleitoral. Outras propostas incluem a Medida Provisória do Programa Gás do Povo e a PEC da Segurança Pública.

O Planalto tem até meados de junho para tentar avançar com esses temas, antes que o calendário eleitoral de outubro de 2026 monopolize as atenções políticas.

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