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Vorcaro usou empréstimo do Master para comprar mansão em Brasília

Investigação aponta que dono do Banco Master utilizou verba supostamente desviada da própria instituição para aquisição de imóvel de R$ 36 milhões na capital...

Investigação aponta que dono do Banco Master utilizou verba supostamente desviada da própria instituição para aquisição de imóvel de R$ 36 milhões na capital federal.

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, é investigado por usar empréstimo fraudulento da instituição para comprar uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília.

BRASÍLIA, DF – Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, está sob forte escrutínio após investigações revelarem que ele teria utilizado um empréstimo supostamente desviado da própria instituição para adquirir uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília. O imóvel era utilizado pelo empresário durante suas estadias na capital federal.

A aquisição, conforme apurado pela Folha, foi intermediada pela Super Empreendimentos e Participação, uma empresa que Vorcaro afirma ter seu cunhado, Fabiano Zettel, como sócio. A Super Empreendimentos faz parte de uma lista de 35 companhias suspeitas de contrair empréstimos fraudulentos junto ao Banco Master. Esses recursos, segundo os investigadores, alimentavam uma rede de fundos que supostamente desviavam dinheiro do banco para “laranjas”, em um ciclo que retroalimentaria o próprio Master. Fabiano Zettel foi alvo da Operação Compliance da Polícia Federal e chegou a ser detido.

Transações Suspeitas e Implicações Legais

A mansão no Lago Sul foi comprada pela Super Empreendimentos em 8 de maio de 2024. Pouco menos de um ano depois, em 11 de abril de 2025, a empresa revendeu o imóvel à Prime Aviation 4 Participações, que integra o grupo Prime You, do qual Vorcaro é sócio.

Curiosamente, a revenda ocorreu pelo mesmo valor de aquisição, R$ 36,1 milhões, uma prática que especialistas consideram problemática por potencialmente evitar o pagamento de Imposto de Renda sobre lucro.

A defesa de Daniel Vorcaro, em nota, afirmou que a relação do ex-banqueiro com a Super é estritamente comercial, envolvendo compra e venda de ativos e contratos de inquilinato, e que a ligação familiar era de conhecimento público. Contudo, a Super Empreendimentos pertence ao fundo Termópilas, cujo cotista único é o fundo Astralo 95.

Este último foi identificado pelo Banco Central como parte da “ciranda de fraudes” do Banco Master, conforme denúncia ao Ministério Público Federal.

A pesquisadora Layla McClaskey, da FGV Direito Rio, alerta que a operação pode ser ilegal, especialmente se Vorcaro for cotista do Astralo 95. Ela aponta para “problemas enormes” com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Fisco, violando princípios de lealdade, diligência e transparência em operações com partes relacionadas.

A especialista descreve a situação como uma simulação de investimento que, na verdade, seria uma fraude.

Um ex-dirigente da CVM, que preferiu manter o anonimato, sugeriu que a estrutura de fundos e empresas poderia ser uma forma de Vorcaro retirar dinheiro do banco sem a necessidade de pagar dividendos, que são limitados pelo lucro da empresa. Além da mansão em Brasília, a Super Empreendimentos possui participações em outros negócios, como um consórcio administrador do Minascentro em Belo Horizonte e empresas de esportes em São Paulo, ampliando o escopo da investigação.

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