Proposta do ex-presidente americano para o 'Conselho da Paz' visa supervisionar governo tecnocrático na Faixa de Gaza, com reações mistas de líderes globais.
Donald Trump convidou líderes como Lula e Milei para um Conselho da Paz em Gaza, gerando debates sobre a governança futura da região.
Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, surpreendeu a comunidade internacional ao convidar diversos chefes de Estado, incluindo o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o argentino Javier Milei, para integrar o recém-criado Conselho da Paz. Este órgão, proposto por Trump, tem como objetivo principal supervisionar um governo tecnocrático na Faixa de Gaza.
A notícia, inicialmente veiculada pelo site ICL Notícias, foi confirmada por integrantes do Itamaraty à Folha.
A proposta foi enviada às embaixadas na sexta-feira. Enquanto o governo brasileiro ainda não se pronunciou sobre o convite a Lula, o presidente argentino Javier Milei prontamente aceitou, publicando a notícia em suas redes sociais e reafirmando o alinhamento de seu país com nações que combatem o terrorismo e defendem a paz e a liberdade. Outros líderes convidados incluem Recep Tayyip Erdogan da Turquia, Santiago Peña do Paraguai, Abdel Fatah Al-Sisi do Egito, e Mark Carney do Canadá, com indicativos de aceitação por parte de alguns.
Reações e Estrutura do Conselho
A iniciativa de Trump, contudo, não foi bem recebida por Israel. O gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou que o anúncio do conselho não foi coordenado com Tel Aviv e que a proposta vai na contramão da política israelense para a região.
A questão deverá ser levada ao chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, que também figura entre os membros fundadores do conselho, ao lado de nomes como Tony Blair e Jared Kushner.
O Conselho da Paz, que será presidido pelo próprio Trump, faz parte da segunda fase do plano de paz dos EUA para Gaza, apresentado em setembro de 2025. Embora os detalhes de seu funcionamento ainda sejam escassos, a agência Bloomberg reportou que a adesão pode exigir um pagamento de ao menos US$ 1 bilhão dos países com assento permanente.
As decisões seriam por maioria simples, mas sempre com aprovação final do presidente americano.
Este conselho atuará acima do Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG), liderado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina. O NCAG será responsável pela reconstrução do território palestino, devastado por anos de conflito.
O plano de paz, aceito por Tel Aviv e Hamas e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, prevê também o envio de uma força militar de estabilização e o desarmamento do Hamas, este último um ponto crítico, já que o grupo condiciona a entrega de armas à criação de um Estado palestino. A terceira fase do plano prevê o reconhecimento desse Estado, algo que Netanyahu já se opôs veementemente.
A postura de Lula em relação a Israel tem sido de críticas recorrentes, classificando as ações israelenses em Gaza como genocídio, o que gerou uma crise diplomática. Milei, por sua vez, tem demonstrado forte alinhamento com a política externa de Trump, elogiando publicamente as ações dos EUA na Venezuela e defendendo a liberdade e a integração regional.