Há quase uma década, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alerta o governo federal sobre a atuação dos cartéis mexicanos de drogas no país, o que inclui o temido grupo Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), que teve seu principal líder, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, morto em uma operação realizada por autoridades do México no domingo, 22.
Um dos motivos para a atuação em território brasileiro do bando mexicano é o mercado brasileiro de drogas, visto como atrativo pelo número alto de usuários de entorpecentes. O Jalisco, segundo investigações, atua principalmente com tráfico de cocaína, anfetamina e fentanil. A atuação em drogas sintéticas, inclusive, surpreendeu investigadores brasileiros. Pela fronteira com os Estados Unidos, os criminosos mexicanos também são responsáveis pelo envio de drogas ao território americano.
Os criminosos do México estão também na Tríplice Fronteira e atuam entre Brasil, Argentina e Paraguai. Investigações internacionais apontam para a reiterada lavagem de dinheiro dos cartéis do México na região, por meio de empresas fictícias e contrabando de mercadorias, o que tornou a Tríplice Fronteira um polo estratégico para o crime.
Uma das preocupações brasileiras é o fato de o país ter mais de 17 mil km de fronteiras — o que torna a fiscalização difícil. Para se ter uma ideia, a já problemática divisa entre México e Estados Unidos tem pouco mais de 3.000 km. Com território continental, há possibilidade, inclusive, de os criminosos buscarem guarida no Brasil contra possíveis investigações internacionais. VEJA mostrou em reportagem na edição nº 2960, de 5 de setembro de 2025 que o Brasil virou campo de atuação de grupos estrangeiros, o que inclui dois cartéis mexicanos: o Jalisco Nova Geração e o Sinaloa.
Líder morto
A morte de El Mencho desencadeou uma onda de violência em diversas regiões do México a quatro meses do país receber a Copa do Mundo de 2026, junto de Canadá e Estados Unidos.A resposta do crime organizado seguiu um padrão já conhecido no país. Nas primeiras horas após a confirmação da morte, surgiram bloqueios em rodovias e incêndios de veículos, tática conhecida como “narcobloqueio”, utilizada para dificultar a ação das forças de segurança.
Fonte: VEJA


