A origem da preferência pela mão direita pode ser mais antiga do que se imaginava. Um estudo publicado na revista Scientific Reports, na última quinta-feira (9/7), trouxe à luz a primeira evidência conhecida de lateralização comportamental, identificada em fósseis de um animal marinho que viveu há cerca de 550 milhões de anos. A pesquisa focou na análise da Spriggina floundersi, um organismo do período Ediacarano, que demonstrou uma clara tendência a curvar o corpo para o lado direito.
Os pesquisadores que conduziram o estudo examinaram mais de 100 fósseis coletados no sul da Austrália, sendo que 76 desses exemplares foram medidos com precisão através de fotografias, moldes e escaneamentos em três dimensões. O estudo revelou que aproximadamente 70% dos fósseis apresentavam curvaturas, sendo que as curvas para a direita foram observadas com uma frequência cerca de duas vezes maior em relação às curvas para a esquerda.
É importante destacar que, apesar dessa descoberta, os autores do estudo não afirmam que a Spriggina seja a responsável pela preferência de destros na espécie humana. A pesquisa sugere que a lateralização já estava presente na evolução de alguns dos primeiros animais com simetria bilateral, indicando que esse comportamento pode ter raízes muito mais profundas na história evolutiva.
Os cientistas também descartaram a hipótese de que o padrão observado nas curvaturas fosse resultado de fatores externos, como correntes marinhas ou o processo de fossilização. Para validar essa conclusão, a equipe de pesquisa comparou fósseis preservados em diferentes orientações e constatou que as diferenças nas posições dos exemplares eram compatíveis com movimentos que o próprio animal poderia ter realizado.
Além disso, os autores da pesquisa sugerem que a Spriggina possuía uma musculatura que possibilitava a execução de movimentos coordenados e um certo controle nervoso. Contudo, os fósseis não preservaram tecidos moles, o que limita a compreensão sobre como o sistema nervoso do animal funcionava. A pesquisa não fornece informações sobre as razões que levariam a Spriggina a preferir virar para a direita, nem se ela é um ancestral direto dos humanos.