O Brasil alcançou a 6ª posição em um ranking que avalia o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global, elaborado pela Austin Rating. Os dados consideram 45 economias que já divulgaram seus resultados do PIB do primeiro trimestre de 2026. Durante este período, a economia brasileira apresentou um crescimento de 1,1% em comparação ao trimestre anterior, ajustado sazonalmente, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse desempenho coloca o Brasil à frente de grandes economias, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Japão e França.
No topo do ranking, Hong Kong lidera com um crescimento de 2,9%, seguido por Taiwan, com 2,8%, e Dinamarca, que registrou um avanço de 1,9%. A China ficou na 5ª posição, com uma expansão de 1,3%. No que diz respeito ao crescimento anual, o PIB brasileiro aumentou 1,8% em relação ao mesmo período de 2025, embora esse índice esteja abaixo da média global de 2,9%, superando a média do G7, que foi de 1,1%, e da zona do euro, que atingiu 0,8%.
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, destacou que o resultado está alinhado com as expectativas do mercado e reflete as consequências da política monetária restritiva implantada pelo Banco Central. Ele prevê que a atividade econômica poderá apresentar uma desaceleração nos próximos trimestres, um fenômeno considerado natural devido aos efeitos das medidas restritivas. Para Agostini, essa desaceleração é necessária para o controle da inflação, já que as altas taxas de juros começam a impactar negativamente os investimentos produtivos.
O crescimento do PIB no primeiro trimestre foi impulsionado pela agropecuária, que avançou 2,0% em relação ao final de 2025. A indústria também teve um desempenho positivo, com um crescimento de 1,0%, enquanto o setor de serviços registrou uma alta de 0,5%. No comparativo anual, todas as áreas de serviços mostraram crescimento, com destaque especial para os setores de informação e comunicação, que cresceram 7,6%, e atividades financeiras, com 2,8%.
Outros fatores externos devem continuar a pressionar a economia brasileira ao longo do ano, incluindo conflitos geopolíticos e disputas tarifárias internacionais. Agostini expressou preocupação com os possíveis impactos climáticos no agronegócio, especialmente em relação ao fenômeno El Niño, que pode afetar a produção no segundo semestre de 2026.
No cenário fiscal, o Banco Central reportou um déficit de R$ 1,8 bilhão para as estatais em abril, enquanto o setor público apresentou um superávit de R$ 24,6 bilhões no mesmo mês. Contudo, a dívida bruta do país subiu para 80,4% do PIB, alcançando um montante de R$ 10,4 trilhões.