A análise recente de um meteorito originário de Marte revelou a presença de um mineral conhecido como granada do tipo andradita, que é frequente em determinadas rochas da Terra, mas nunca havia sido identificado no planeta vermelho até o momento. Esta descoberta foi divulgada na última semana na revista científica Geochemical Perspectives Letters.
Na Terra, a granada andradita se forma em ambientes que apresentam calor intenso, mudanças químicas causadas por fluidos aquecidos ou em magmas específicos. Apesar da alta probabilidade de que a rocha seja realmente de Marte, existe uma possibilidade de que o fragmento tenha se originado de outro meteorito que caiu no planeta. Para esclarecer esta questão, os pesquisadores planejam realizar análises adicionais.
O meteorito, denominado NWA 8171, contém um pequeno fragmento de rocha que é composto principalmente por granada andradita, piroxênio (diopsídio/augita) e apatita. Os cientistas classificaram a identificação deste mineral como a primeira de um tipo de rocha contendo granada em um meteorito marciano, considerando-a uma descoberta significativa. Na Terra, a presença de granadas andraditas é frequentemente associada a processos de metamorfismo de contato e metassomatismo, enquanto Em Marte, a extensão e a natureza do metamorfismo ainda são especulativas.
Os autores do estudo levantaram algumas hipóteses sobre a formação do NWA 8171. Uma delas sugere que a água poderia ter circulado por rochas marcianas, alterando sua composição química e resultando no meteorito. O estudo afirma que a assembleia mineral com andradita pode ter se formado na superfície de Marte devido a metamorfismo térmico localizado, potencialmente facilitado por fluidos. Essa hipótese implica que Marte pode ter abrigado, em algum momento, sistemas hidrotermais.
Outra possibilidade aventada é que a rocha tenha se originado de um magma diferente do que é conhecido atualmente. Isso indicaria que o interior de Marte pode ser mais diversificado do que se imaginava, sugerindo a existência de tipos de vulcanismo que ainda não foram identificados. Os pesquisadores afirmam que, se o fragmento de rocha com andradita for resultado de processos metasomáticos ou metamórficos, isso poderia indicar que Marte preserva evidências de antigos sistemas hidrotermais associados a impactos ou à intrusão de grandes massas de magma no subsolo.
Além disso, se a granada andradita se formou em condições de altas temperaturas, o fragmento pode representar uma fonte geológica ainda não amostrada ou um caminho de diferenciação magmática ainda desconhecido, o que poderia oferecer novos insights sobre a evolução da crosta de Marte ao longo do tempo.