O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a inclusão do Ministro Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça, como investigado na Operação Sisamnes. Essa operação investiga um suposto esquema de venda de sentenças judiciais. A decisão foi tomada em 29 de maio, após a Polícia Federal apresentar indícios que justificam a abertura da investigação.
O gabinete de Moura Ribeiro afirmou que não tem conhecimento de qualquer investigação em andamento e destacou que o assessor mencionado na Operação Sisamnes foi exonerado a pedido do próprio ministro. Zanin, que é relator das investigações relacionadas à Operação Sisamnes, apura a antecipação de decisões de ministros do STJ em favor de lobistas e empresários do agronegócio.
Em 27 de maio, a Procuradoria-Geral da República denunciou nove investigados, incluindo o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves e assessores de ministros da Corte. De acordo com um relatório encaminhado ao STF, a Polícia Federal identificou a necessidade de esclarecer pontos sobre a antecipação de decisões atribuídas ao gabinete de Moura Ribeiro, que teriam beneficiado Andreson de Oliveira Gonçalves e sua esposa, Mirian Gonçalves.
Embora a PF tenha afirmado que, até o momento, não existem elementos que comprovem a participação direta do ministro, considerou necessário aprofundar as investigações para verificar o envolvimento dos assessores e do próprio magistrado. Em um relatório, a PF esclareceu que ainda não é possível concluir sobre a participação do ministro ou de seus servidores nos fatos investigados, ressaltando que novas diligências são essenciais para obter clareza sobre a situação.
Zanin também autorizou a PF a coletar dados de servidores vinculados ao gabinete de Moura Ribeiro durante o período em questão, além de informações sobre pessoas próximas ao ministro. O servidor mencionado atuou como assistente de plenário entre 30 de janeiro e 16 de junho de 2019 e foi exonerado após uma atuação considerada irregular, a pedido do próprio Moura Ribeiro.
O ministro, com mais de quatro décadas de atuação, defendeu sua trajetória honrada e negou qualquer associação a atos ilícitos. A defesa de Anderson e Mirian Gonçalves também se manifestou, afirmando que no relatório da PF não há indícios de ilicitude em relação ao ministro e seus servidores. A defesa criticou a busca de elementos que possam legitimar a jurisdição do STF em relação ao caso.