O Brasil e a Coreia do Sul estabeleceram um Grupo de Trabalho com o objetivo de impulsionar as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático. O anúncio ocorreu na segunda-feira, 27 de julho de 2026, durante uma declaração conjunta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
O grupo terá como missão identificar e abordar as divergências entre as partes, evitando que esses pontos dificultem a continuidade das discussões. O vice-presidente Geraldo Alckmin será o responsável pela coordenação brasileira, enquanto Lee Jae-myung designará um representante de seu governo para a função.
Lula enfatizou a importância da criação do Grupo de Trabalho, que, segundo ele, visa reconhecer sensibilidades de ambos os lados, permitindo que as negociações do Mercosul com a Coreia do Sul avancem. As tratativas começaram em 2018, mas foram interrompidas em 2021.
Durante a visita de Lula à Coreia do Sul em fevereiro deste ano, o presidente brasileiro reiterou a necessidade de retomar as conversas, citando o contexto de crescente unilateralismo nas práticas comerciais globais. O comércio bilateral entre Brasil e Coreia do Sul alcançou aproximadamente US$ 11 bilhões em 2025, indicando um potencial significativo para o crescimento nas relações comerciais.
O agronegócio foi destacado como uma área promissora para expansão, com exportações brasileiras de produtos agropecuários para a Coreia totalizando quase US$ 2,5 bilhões em 2025. Lula mencionou também que uma missão sanitária sul-coreana deverá visitar o Brasil no próximo mês, visando facilitar o acesso de frigoríficos brasileiros ao mercado sul-coreano.
O presidente Lee Jae-myung reforçou a urgência de avançar nas negociações, afirmando que o acordo entre Mercosul e Coreia não pode ser adiado. Ele destacou que essa parceria tem o potencial de gerar novas oportunidades comerciais e industriais para ambas as nações. Lee também manifestou a intenção de ampliar a cooperação em áreas como alta tecnologia, cadeia de suprimentos, economia verde e economia digital.