Em Pernambuco, o cronograma de instalação de câmeras de videomonitoramento enfrenta atrasos significativos, com apenas 54% dos 2 mil dispositivos previstos já instalados. O sistema deveria estar totalmente operacional até o final de 2025, mas até o momento, apenas 1.089 câmeras estão em funcionamento, conforme dados da Secretaria de Defesa Social (SDS).
O contrato, que envolve um montante de R$ 122,9 milhões, foi firmado com a Teltex Tecnologia S/A e tem validade de 60 meses. A empresa, mesmo em recuperação judicial, participou do processo licitatório e foi escolhida para realizar a instalação e a manutenção das câmeras, que incorporam tecnologia de Inteligência Artificial (IA).
As câmeras que estão sendo instaladas têm a função de substituir equipamentos obsoletos, que estavam em operação desde 2012 e já não possuíam contrato desde agosto de 2020. A SDS informou que os antigos dispositivos apresentavam baixa resolução, o que dificultava a identificação de indivíduos e veículos nas gravações.
Diante do atraso na instalação, a SDS INSTAUROU PROCESSOS administrativos para apurar possíveis penalidades contra a Teltex. O primeiro processo recebeu parecer favorável à aplicação de uma advertência à empresa, enquanto o segundo ainda está em andamento. A empresa não retornou às tentativas de contato feitas pelo departamento de marketing da SDS para esclarecer o atraso.
Em 1º de dezembro de 2023, foram desativadas 358 câmeras que pertenciam ao governo estadual. Essa decisão foi motivada pela cobrança do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que solicitou uma nova licitação, uma vez que os contratos anteriores estavam sendo renovados por meio de Termo de Ajuste de Contas (TAC) desde agosto de 2020, sem a realização de licitação.
A Teltex foi escolhida em um pregão eletrônico realizado em dezembro de 2024, mas uma concorrente, a Painel Multiserviços Ltda., apresentou um pedido cautelar ao TCE-PE, apontando irregularidades na seleção da empresa. No início de 2025, o conselheiro Carlos Neves, relator das contas da SDS, acompanhou um parecer que considerou improcedentes as alegações da denúncia, permitindo a assinatura do contrato. No entanto, uma auditoria especial foi instaurada para monitorar a execução do contrato.