Além do pedido de anulação dos votos do exterior, o partido Juntos por el Perú também solicitou a invalidação de mais de 1.700 atas de votação dentro do país, alegando que certos padrões observados nas urnas indicam possíveis irregularidades que seriam estatisticamente impossíveis. A campanha de Fujimori refutou essas alegações, ressaltando que as atas contestadas foram assinadas por representantes do próprio partido de Sánchez.
O resultado oficial da eleição ainda não foi divulgado, uma vez que há pendências relacionadas a atas contestadas que incluem cerca de 82 mil votos, potencialmente suficientes para alterar o resultado final, caso o Júri Nacional de Eleições acate parte das contestações. A votação do segundo turno ocorreu em 7 de junho, e o processo de apuração enfrentou diversas reviravoltas, com Sánchez liderando inicialmente, sendo superado posteriormente por Fujimori quando os votos do exterior e de áreas urbanas mais ricas foram contabilizados.
Roberto Sánchez é associado a Pedro Castillo, ex-presidente que governou o Peru entre 2021 e 2022 e enfrentou problemas legais após tentar dissolver o Congresso. A observação do processo eleitoral realizada por representantes da União Europeia identificou uma votação tranquila e ordenada, mesmo em um clima de intensa polarização. Não foram encontradas irregularidades pelos observadores internacionais. O pedido de anulação apresentado por Sánchez não incluiu evidências documentais de fraude, limitando-se a alegações de que cédulas eleitorais teriam sido desconsideradas no exterior e transferidas para apuração em Lima, caracterizando o que ele chamou de “séria violação das normas eleitorais”.
A tentativa de cancelar votos do exterior como estratégia para reverter resultados desfavoráveis não é nova na América Latina, com precedentes em ações semelhantes realizadas por Gustavo Petro na Colômbia. Neste contexto, o Júri Nacional de Eleições se posiciona como a instância decisiva para a definição dos pedidos de nulidade, com implicações diretas sobre quem assumirá o governo e a legitimidade do futuro vencedor.