O tribunal eleitoral do Peru rejeitou, nesta terça-feira, o recurso apresentado por Roberto Sánchez, candidato de esquerda, que buscava anular os votos registrados no exterior durante o segundo turno das eleições presidenciais contra Keiko Fujimori, candidata conservadora. A decisão do órgão eleitoral se baseou no fato de que o pedido foi protocolado fora do prazo legal e sem o pagamento das taxas exigidas.
A contestação envolvia urnas administradas por consulados peruanos em diversas regiões do mundo, incluindo América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia, Oriente Médio, África e Oceania. Os magistrados também alertaram os representantes do partido Juntos pelo Peru, de Sánchez, sobre a necessidade de respeitar os princípios de boa-fé e celeridade processual, evitando ações que possam atrasar o desfecho do processo eleitoral.
Após a decisão, Roberto Sánchez manifestou sua insatisfação, afirmando que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori. Ele alega que problemas administrativos e falhas na segurança do material eleitoral comprometeram a votação dos peruanos no exterior. Sánchez acredita que, se os votos estrangeiros fossem desconsiderados, teria uma vantagem de cerca de 25 mil votos sobre sua adversária.
Outro pedido de anulação, oriundo de uma cidadã peruana e relacionado a mesas eleitorais localizadas nos Estados Unidos, França e Espanha, também foi negado pelo tribunal. Neste caso, a Justiça considerou que a autora não tinha legitimidade para apresentar a ação e que não atendeu aos requisitos formais da legislação eleitoral.
Apesar das contestações, os números oficiais indicam uma vantagem confortável para Keiko Fujimori, que conta com mais de 43 mil votos a seu favor. O partido Fuerza Popular declarou que aguardará a conclusão oficial da contagem antes de anunciar qualquer vitória.
Observadores internacionais da União Europeia relataram que o segundo turno das eleições ocorreu de maneira tranquila e organizada, mesmo em um ambiente de forte polarização política. A disputa presidencial no Peru é considerada uma das mais equilibradas dos últimos anos na América Latina, com a liderança oscilando frequentemente até que Keiko Fujimori consolidasse sua vantagem nas etapas finais da contagem.