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CMPC considera transferir megafábrica de celulose para o Paraguai

A CMPC, uma das principais produtoras de celulose, pode levar seu Projeto Natureza para o Paraguai se o licenciamento ambiental no Brasil não for...

A CMPC, reconhecida como uma das maiores produtoras mundiais de celulose, com sede no Chile e operações no Brasil, revelou que está avaliando a possibilidade de transferir seu Projeto Natureza para o Paraguai. Essa mudança poderá ocorrer caso a impasse relacionado ao licenciamento ambiental no Rio Grande do Sul não seja solucionado até o final de 2026. O diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, fez a declaração, que causou repercussão no setor industrial, evidenciando a disputa entre Brasil e Paraguai por um dos maiores investimentos privados na indústria de base florestal da América do Sul.

O Projeto Natureza é planejado para ter uma capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas de celulose anualmente, posicionando-se entre os maiores complexos do setor no continente. O valor total do investimento é estimado entre R$ 25 bilhões e R$ 27 bilhões. O impasse no Brasil é atribuído à falta de previsibilidade regulatória no processo de licenciamento ambiental, conforme enfatizado pela CMPC. Antonio Lacerda destacou que, caso não haja uma definição até o final de 2026, a empresa considerará formalmente o Paraguai como uma alternativa para o investimento.

A declaração da CMPC reflete uma mudança significativa na dinâmica de atração de investimentos industriais na América do Sul. Historicamente, o Brasil foi visto como o destino preferencial para grandes projetos de celulose, papel e madeira plantada, devido a seu clima favorável, alta produtividade florestal e disponibilidade de terras para cultivo de eucalipto. Atualmente, o Paraguai se destaca em áreas onde o Brasil enfrenta críticas de investidores, como previsibilidade regulatória, agilidade nos licenciamentos ambientais e segurança jurídica.

Além disso, a situação da CMPC se insere em um fluxo crescente de migração de capital produtivo do Brasil para o Paraguai. Desde 2007, mais de 230 empresas brasileiras operam no país sob o regime de maquila, com 26 delas iniciando atividades entre 2024 e 2026. As dez maiores maquiladoras brasileiras no Paraguai alcançaram uma receita de exportação de US$ 1,3 bilhão em 2025. Em 2026, empresas como Karsten, Kidy e Dass expandiram suas operações no Paraguai, atraídas por encargos trabalhistas de 12%, em contraste com 80% no Brasil, além de custos operacionais até 40% inferiores.

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