As tensões geopolíticas no Oriente Médio e a instabilidade nos preços internacionais do petróleo colocaram a segurança energética como um tema central no debate econômico brasileiro. Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, levando a uma mudança no foco das discussões, que antes se concentravam nos fatores internacionais e agora se voltam para os postos de combustíveis e as Empresas Distribuidoras, como se as margens desses intermediários fossem as únicas responsáveis pelo aumento dos preços.
Essa abordagem tem sido criticada por especialistas, que argumentam que a real questão deve ser a resiliência da infraestrutura logística e os custos estruturais de produção e tributação, que têm um impacto maior na composição do valor final do combustível. Enquanto o governo analisa os preços finais cobrados nas bombas, economistas e agentes do setor alertam que a verdadeira proteção contra o desabastecimento em um país de grandes dimensões está na robustez da malha logística nacional.
Gustavo Madi, diretor da LCA Consultoria, destaca que a distribuição de combustíveis é crucial para amortecer os choques de oferta. Com o consumo disperso em um território extenso, enquanto a produção e o refino estão concentrados em algumas regiões, a operação eficiente de armazenagem, transporte e gestão de estoques é essencial para conectar refinarias, importadores, terminais portuários e usinas de biocombustíveis a mais de 5.500 municípios.
Atualmente, o Brasil conta com 17 refinarias em operação, mas a capacidade de refino nacional não atende completamente o perfil de consumo do mercado. Embora a Petrobras seja a principal fornecedora interna, a atuação de importadores e agentes privados é fundamental para evitar o desabastecimento, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O superintendente de Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) Energia, Marcio Lago, ressalta que a eficácia do elo de distribuição é o que impede que gargalos internacionais afetem a economia. Ele afirma que, sem uma estrutura de distribuição eficaz, mesmo o petróleo produzido internamente não chegaria à ponta final em casos de crise externa.
Com mais de 100 anos de atuação, o setor de abastecimento comercial e logística se baseia em sua resiliência histórica para enfrentar pressões por intervenções. O setor já superou mais de 20 guerras e crises internacionais de petróleo, mantendo um fluxo contínuo de suprimentos em contextos de instabilidade global.