A cineasta Dandara Ferreira, conhecida por sua obra anterior 'Meu Nome é Gal', que retrata a vida da cantora Gal Costa, apresenta seu novo documentário intitulado 'Anatomia do Caos'. A estreia está marcada para esta quinta-feira, 2 de julho de 2026, e o filme explora os eventos do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, utilizando imagens inéditas dos bastidores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, que foi instaurada pelo Senado em abril de 2021.
Dandara Ferreira compartilha que sua decisão de documentar a CPI surgiu a partir de um sentimento de medo e indignação, que era compartilhado por muitos brasileiros no início da pandemia. Com uma câmera em mãos, ela se dirigiu a Brasília sem um roteiro definido, acompanhando todo o processo da comissão até a entrega do relatório final em outubro de 2021. A cineasta ressalta que, apesar do tempo decorrido, ainda existem muitas questões sem resposta.
Em suas declarações, Dandara menciona que não há desrespeito mais grave à vida do que as atitudes do então presidente em relação às dificuldades enfrentadas por pessoas afetadas pela pandemia. Ela enfatiza que o filme é uma busca por justiça e que o povo merece reparação pelos traumas vividos. "Justiça é o que estamos precisando para lavar a alma e seguir em frente", afirma a diretora.
A estreia do documentário ocorre a três meses do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Apesar da proximidade com o pleito, Dandara acredita que a função do filme não é orientar o voto, mas sim provocar uma reflexão mais profunda sobre temas como democracia e responsabilidade pública. "Se o filme contribuir para que o público pense com mais profundidade sobre democracia, responsabilidade pública, memória e gestão de crises, então ele já terá cumprido uma função importante", destaca.
Dandara também discute a relevância do lançamento nos cinemas antes da disponibilização em plataformas de streaming. Ela argumenta que a pandemia foi um período de solidão para muitos, e o cinema oferece uma experiência de comunhão, permitindo que as pessoas compartilhem emoções e memórias coletivas. A diretora acredita que assistir ao filme em uma sala de cinema, cercado por outras pessoas, transforma a experiência em algo ainda mais impactante e significativo.
Além disso, a cineasta menciona a importância de se lembrar das vítimas da Covid-19, especialmente em momentos em que o país ainda lida com as consequências da pandemia. O filme 'Anatomia do Caos' se propõe, assim, a ser um espaço de reflexão e memória coletiva, essencial para o entendimento do passado recente do Brasil.