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Edir Macedo e a aquisição do banco DIGIMAIS: um panorama financeiro

A compra do banco DIGIMAIS por Edir Macedo em 2020 visa integrar as operações financeiras da Igreja Universal. Apesar de injeções de capital e...
Saiba mais sobre o banco do Edir Macedo, comprado pelo bispo em 2020 — Foto: Sai

O banco DIGIMAIS, alvo de nove mandados de busca e apreensão pela Operação Miragem, da Polícia Federal, foi adquirido pelo bispo Edir Macedo em 2020, anteriormente conhecido como Renner. A mudança na propriedade visou integrar as operações financeiras do líder religioso, especialmente no que se refere à Igreja Universal do Reino de Deus.

Após a compra, o nome do banco foi alterado para DIGIMAIS, sua sede foi transferida do Rio Grande do Sul para São PAULO e o bispo João Luiz Urbaneja assumiu a presidência da instituição. Anteriormente focado no financiamento de veículos, o novo comando começou a diversificar as receitas, adquirindo carteiras de crédito e títulos. Recentemente, o banco também passou a oferecer crédito consignado, estabelecendo contratos com a Prefeitura de São PAULO. No entanto, a maior parte da carteira de crédito, que totaliza R$ 1,57 bilhão, ainda é composta por financiamentos de veículos, seguida por empréstimos consignados.

Dados de março de 2026, divulgados pela plataforma IF Data do Banco Central, revelam que o banco possui R$ 10 bilhões em ativos totais e registrou um prejuízo de R$ 108,4 milhões no primeiro trimestre do ano. Em contrapartida, o balanço do ano anterior indicou um lucro líquido de R$ 31 milhões. Ao final de março, o DIGIMAIS reportou R$ 8,5 bilhões em depósitos a prazo, principalmente por meio de Certificados de Depósitos Bancários (CDB).

Nos últimos anos, a instituição tem enfrentado sérios desafios financeiros, levando Edir Macedo a injetar recursos na operação e a considerar a venda do banco. A deterioração financeira refletiu-se na alta rentabilidade dos CDBs, que chegaram a 130% do CDI, superando a média do mercado e gerando preocupações.

A venda do DIGIMAIS é vista como uma alternativa para evitar uma liquidação forçada, o que obrigaria o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a cobrir os depósitos. A alienação para outra instituição financeira poderia minimizar as perdas do fundo, mesmo que ainda haja necessidade de cobertura parcial do passivo. A negociação precisa da aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para prosseguir.

Em termos de desempenho no primeiro trimestre de 2026, o banco apresenta um patrimônio líquido de R$ 804 milhões e enfrenta a concorrência de grandes instituições como Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, além do Nubank. A situação do DIGIMAIS demonstra a complexidade da gestão financeira e os desafios enfrentados na busca por recuperação e estabilidade no mercado financeiro.

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