Durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado no Rio de Janeiro, a educadora Daniela Costa enfatizou a importância de uma inclusão digital que vá além da mera disponibilização de tecnologias nas escolas. Segundo ela, é essencial que essa inclusão seja significativa e crítica, considerando os objetivos e riscos envolvidos no uso das tecnologias educacionais.
Costa apresentou dados que mostram avanços e desafios na relação entre alunos e o ambiente escolar. Um exemplo positivo é o resultado de iniciativas na China, onde gravações de aulas de alta qualidade beneficiaram 100 milhões de estudantes rurais, resultando em uma melhoria de 32% em seus desempenhos. Além disso, a desigualdade salarial entre as populações urbanas e rurais foi reduzida em 38%.
Entretanto, a educadora também destacou preocupações com a distração causada pela proximidade de aparelhos celulares, que impactaram negativamente a aprendizagem em 14 países. Ela apontou que o uso excessivo de tecnologias digitais pode prejudicar a atenção dos alunos, afirmando que "eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção". Para lidar com essa questão, Costa lembrou que o Brasil possui a Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe o uso de celulares durante aulas e intervalos.
Dados do Cetic.br revelaram que, no início de 2026, 51% das escolas brasileiras relataram terem recebido orientação sobre erros associados às inteligências artificiais. A educadora ressaltou que os professores desempenham um papel crucial na formação dos alunos em relação ao uso de tecnologias digitais. De 2022 a 2024, a proporção de estudantes que buscaram informações sobre o uso de tecnologias com seus professores aumentou de 44% para 56%.
No entanto, a formação continuada dos docentes em tecnologias digitais enfrenta uma queda preocupante. Em 2021, 65% dos professores afirmaram ter participado de formação nessa área, mas esse número caiu para 54% em 2024. Costa expressou sua preocupação com essa diminuição, afirmando que "esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores".
Por fim, a educadora conclamou a sociedade a valorizar o papel dos educadores, afirmando que "não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos".