O Grupo Mateus, que ocupa a terceira posição entre as redes supermercadistas do Brasil, informou em maio de 2026 que irá encerrar 28 de suas lojas e demitir cerca de 6,6 mil colaboradores ao longo do segundo semestre de 2025 e no primeiro trimestre de 2026. Essa reestruturação resultou em uma redução de 13,9% no número total de funcionários, que caiu de 47,9 mil para 41,2 mil. As demissões afetaram principalmente as unidades das marcas Eletro Mateus e Armazém Pet, além de lojas tradicionais de varejo que apresentavam baixo desempenho, localizadas em estados como Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
Atualmente, o Grupo Mateus mantém 306 lojas em operação e 18 centros de distribuição. No ano de 2025, a empresa inaugurou apenas quatro novas unidades no primeiro trimestre de 2026, um reflexo da nova estratégia de contenção de custos.
Em termos financeiros, o Grupo Mateus reportou uma receita bruta de R$ 43,5 bilhões em 2025, enquanto no primeiro trimestre de 2026, o lucro ultrapassou R$ 2 bilhões. O presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, indicou que mais cortes de despesas estão previstos, embora tenha descartado novas demissões no quadro de funcionários.
As ações do Grupo Mateus, listadas na B3 sob o ticker GMAT3, receberam recomendações de compra ou outperform por instituições financeiras como BTG Pactual, XP e Itaú BBA, desde o ano de 2020.
Um fator que impulsionou a reestruturação foi a descoberta de estoques superavaliados. A empresa realizou um ajuste contábil de R$ 1,1 bilhão em mercadorias estocadas em 2024, o que levou à redução do valor total dos estoques, que caiu de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Essa ação pressionou o patrimônio líquido da empresa, que foi reduzido em quase R$ 695 milhões, totalizando R$ 9,1 bilhões, e foi identificado como um dos motivos que aceleraram o processo de enxugamento operacional.