Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, declarou na quarta-feira (17.jun.2026) que o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, comete um erro ao criticar a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PL-SP, pelo STF. As declarações foram feitas durante uma conversa com jornalistas na PUC-SP, localizada na capital paulista.
Tarcísio, que busca a reeleição neste ano, classificou a decisão que condenou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo como "injusta". Em resposta, Haddad defendeu que o ex-deputado deve assumir a responsabilidade por suas ações, que, segundo ele, prejudicaram o Estado de São Paulo. "Uma pessoa que foi para os Estados Unidos conspirar contra a soberania nacional, colocou ministros do Supremo numa situação de total constrangimento, prejudicou a economia paulista mais do que qualquer outra", afirmou o pré-candidato.
Haddad também questionou a postura do governador ao defender Eduardo Bolsonaro. "Ele [Tarcísio] não entender que a postura de Eduardo prejudicou o Estado que ele governa, eu acho um equívoco muito grande. O Eduardo precisa responder pela irresponsabilidade dele", ressaltou. O pré-candidato enfatizou a necessidade de respeitar a legislação brasileira, afirmando que a condenação está tipificada como crime e que não se pode ignorar a penalidade prevista na lei.
Além das críticas a Tarcísio, Haddad mencionou que se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, na terça-feira (16.jun.2026). Ele indicou que a escolha do candidato a vice em sua chapa para as eleições de outubro deve ser definida em breve.
Na mesma quarta-feira, Haddad participou de um debate sobre desenvolvimento econômico e democracia, ao lado de professores e pesquisadores. O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que enfrenta um tratamento de câncer e é pré-candidato a deputado federal, participou do evento por videoconferência.
Durante o debate, Haddad apresentou uma análise histórica sobre os desafios ao desenvolvimento econômico do Brasil. Segundo ele, parte das crises institucionais do país tem raízes na reorganização do poder político ocorrida após a abolição da escravidão, em 1888, e a Proclamação da República, em 1889. O petista argumentou que essa transição consolidou uma estrutura de poder dominada por interesses oligárquicos, dificultando a formulação de um projeto nacional de desenvolvimento.