A ordem assinada por Trump instrui o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) a aplicar a nova sobretaxa, que entrará em vigor em 22 de julho. Produtos que já estiverem embarcados antes dessa data poderão ser introduzidos nos EUA sem a sobretaxa, desde que desembarcados até 29 de julho. O documento que oficializa a tarifa inclui isenções para produtos como carne bovina, café e suco de laranja.
Essa tarifa foi proposta pelo USTR em 1º de junho, após uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite a aplicação de tarifas retaliatórias contra países cujas práticas comerciais sejam consideradas desleais. O governo brasileiro, por sua vez, reagiu à medida, classificando o dia 15 de julho como um 'marco lastimável' nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Em nota, o Planalto afirmou que não reconhece a legitimidade de investigações que não se baseiam nas regras multilaterais de comércio, mas reafirmou que nunca abandonou as negociações para defender os interesses nacionais.
O governo brasileiro está considerando a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano anterior, que permite ao Brasil retaliar comercialmente países que impuserem restrições sem fundamentação técnica contra seus produtos. A última reunião entre as delegações dos dois países ocorreu na terça-feira (14), quando o representante americano, Jamieson Greer, declarou o fim das negociações, alegando falta de empenho por parte do Brasil.
Estima-se que a nova tarifa de 25% poderá impactar até 21% do valor total das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Embora a lista de exceções preserve produtos estratégicos, a sobretaxa afetará significativamente setores como siderurgia, calçados, têxtil e produtos manufaturados.