A clássica história de "Alice no País das Maravilhas", escrita por Lewis Carroll, foi reinventada em uma nova versão em cordel que traz elementos da cultura nordestina. Com a participação de personagens icônicos como Lampião, Maria Bonita e Comadre Fulozinha, a obra foi lançada pela Editora Yellowfante e é escrita por Josué Limeira, com ilustrações de Vladimir Barros.
Mantendo a essência do enredo original, esta adaptação apresenta a narrativa sob a ótica da cultura popular brasileira, incorporando referências ao sertão e a um visual tropicalista. A proposta é oferecer uma nova leitura para uma história que tem atravessado gerações e que, ao ser reinterpretada, ganha um novo significado ao ser vista a partir de referências locais.
Na adaptação, a história Da Era Vitoriana é transportada para um cenário tropical, onde elementos do cangaço e do Carnaval de Pernambuco são destacados. O Chapeleiro Maluco, por exemplo, é inspirado em Mateus de Catirina, enquanto o Rei e a Rainha de Copas são representados por Lampião e Maria Bonita. As cartas do baralho são retratadas como caboclos de lança, e a Duquesa é desenhada com traços de Comadre Fulozinha, refletindo o artesanato de couro característico da região.
Vladimir Barros, responsável pelas ilustrações, destaca a importância de mesclar a cultura local com influências externas, criando um trabalho que respeita e valoriza as raízes nordestinas. Ele menciona que seu objetivo é adaptar e reinterpretar referências, trazendo-as para um contexto familiar e acessível ao público local.
Josué Limeira, por sua vez, enfatiza que a adaptação do clássico ao cordel tem o intuito de levar a literatura para as escolas, destacando a importância do papel do professor nesse processo. Ele acredita que a essência do clássico deve ser preservada, ao mesmo tempo em que o cordel se torna uma ferramenta de convivência e aprendizado no ambiente escolar.
Esta não é a primeira vez que Josué Limeira e Vladimir Barros colaboram em projetos literários. A dupla já adaptou outras obras, incluindo "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, e "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry. Os dois últimos livros receberam indicações ao Prêmio Jabuti, em 2016 e 2024.