A diretora-executiva de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, anunciou nesta sexta-feira (7 de agosto de 2026) que as exportações de petróleo da estatal para a China devem retornar aos níveis habituais em um futuro próximo. Durante uma teleconferência sobre os resultados do 2º trimestre de 2026, Laureano expressou otimismo em relação ao aumento das compras chinesas nos próximos meses.
No 2º trimestre de 2026, as exportações de petróleo da Petrobras para a China registraram uma queda de aproximadamente 37% em comparação aos três primeiros meses do ano. A participação do país asiático nas exportações da estatal passou de 62% para 35%, correspondendo a uma redução estimada de 202 mil barris por dia, superando o total das vendas dirigidas à Europa. Esse movimento foi atribuído, segundo a empresa, à estratégia da China de se resguardar frente à alta das cotações internacionais, influenciada pela guerra no Irã e por restrições no estreito de Ormuz.
Angélica Laureano apontou que a diminuição nas importações foi resultado de diversos fatores. A China diminuiu o volume de processamento de petróleo em suas refinarias, restringiu as exportações de derivados e enfrentou uma queda na demanda interna por combustíveis. Com essa menor necessidade de processamento, o país optou por diminuir as importações de petróleo e utilizar parte de seus estoques comerciais.
Apesar dessa retração, a Petrobras acredita que essa fase temporária está se revertendo, com a expectativa de uma recuperação na demanda chinesa nos próximos meses. Essa situação não afetou apenas a Petrobras, mas também outros fornecedores de petróleo para a China. Dados da Administração Geral da Alfândega chinesa indicam que as importações de petróleo bruto do país caíram 41,3% em junho em comparação ao mesmo mês de 2025, totalizando 29,3 milhões de toneladas, o menor volume mensal desde outubro de 2016.
Nesse mesmo período, o preço médio do barril importado pela China subiu 55%, alcançando US$ 105,40. Apesar da redução nas vendas para o mercado chinês, as exportações totais de petróleo da Petrobras tiveram um crescimento de 12,2% no trimestre, atingindo 996 mil barris por dia, com a estatal compensando a queda nas vendas para a China com o aumento das exportações para mercados como Índia, Europa e outros países da Ásia.