A economia brasileira apresentou estagnação no terceiro trimestre, revelou o IBGE, com um crescimento de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior. A paralisação já era esperada pelo varejo, que registrou queda nas vendas tanto em lojas físicas quanto online após o período junino.
O IBGE aponta que a Agropecuária (0,4%) e a Indústria (0,8%) apresentaram resultados positivos, enquanto o setor de Serviços (0,1%) não teve variação significativa. A preocupação recai sobre o setor de Serviços, cujo desempenho pode impactar o quinto trimestre de 2025.
Analisando as séries históricas do IBGE, observa-se que um crescimento tão baixo no terceiro trimestre é atípico, comparável apenas a momentos críticos como a pandemia de 2020 (-3,0%) e a crise de 2016 (-2,5%). Em anos recentes, o crescimento do terceiro trimestre foi mais expressivo: 1,6% em 2017; 2,1% em 2018; 1,1% em 2019; -3,30% em 2020; 4,2% em 2021; 4,3% em 2022; 2,4% em 2023 e 4,1% no ano passado.
Analistas manifestam preocupação com o resultado, atribuindo o desempenho fraco às altas taxas de juros, que impactaram a demanda. O Banco Central elevou a Selic de 10,5% para 15% ao ano entre setembro de 2024 e junho último, o maior patamar em quase 20 anos.
O agronegócio continua sendo um pilar importante para o PIB, com um crescimento de 9,6% nos quatro trimestres terminados em setembro de 2025 e 11,6% no acumulado de 2025 até setembro.
A Formação Bruta de Capital Fixo, que indica o investimento em máquinas e equipamentos, cresceu 0,9% em relação ao trimestre anterior e 2,3% no terceiro trimestre de 2025, impulsionada pela Construção, importação de bens de capital e desenvolvimento de software.
O setor da Construção tem investido em automação devido à escassez de mão de obra, o que tem levado à compra de novas máquinas e ao pagamento de salários mais altos. As Indústrias extrativas (7,4%) e a Construção (1,7%) foram os setores industriais com melhor desempenho, seguidas pelas Indústrias de transformação (0,5%).
Especialistas apontam que a economia tem potencial para crescer cerca de 2% sem a influência dos gastos governamentais. A próxima reunião do Copom é aguardada com expectativa, com a possibilidade de início da queda da Selic em janeiro ou março do próximo ano, embora o Banco Central tenha indicado a manutenção da taxa em 15%.
O governo conseguiu aprovar o Orçamento de 2026 com um acordo que estabelece um calendário de pagamento de emendas parlamentares em ano eleitoral. Em contrapartida, os parlamentares concordaram em flexibilizar a meta fiscal, permitindo um espaço maior para gastos.
O Orçamento Geral da União (OGU) prevê uma meta central de inflação de 3%, com uma tolerância de 1,5 pontos percentuais para mais ou para menos.