A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (23), a Operação Miragem, que visa investigar possíveis crimes relacionados ao Sistema Financeiro Nacional, no contexto da gestão do Banco Digimais, entidade sob controle de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da emissora Record.
Mais de 50 agentes estão envolvidos na execução de nove mandados de busca e apreensão, que foram autorizados pela Justiça Federal de São Paulo. A decisão também inclui o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos indivíduos investigados, além do bloqueio de bens e valores que podem atingir até 670 milhões de reais. Edir Macedo é um dos alvos dessa investigação.
Os inquéritos têm origem em relatórios do Banco Central, que sinalizam manipulação de demonstrativos contábeis pelo banco. As irregularidades incluem a supervalorização intencional de ativos e a geração artificial de receitas fictícias, com o intuito de apresentar uma condição financeira sólida aos órgãos reguladores.
Entre os crimes que os investigados podem enfrentar estão gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em documentos contábeis e realização de operações de crédito não autorizadas, todos previstos na Lei 7.492/1986, que trata dos crimes financeiros. A ação abrange também dez empresas vinculadas a esse grupo econômico, bem como oito indivíduos.
A trajetória do Banco Digimais é marcada por tentativas frustradas de venda do controle acionário e por uma acentuada degradação dos indicadores financeiros. Em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, do grupo BlueBank, desistiu de adquirir o banco após longas negociações.
No mês de dezembro de 2025, Aldemir Bendine assumiu a presidência da instituição, e, em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou um acordo para adquirir o controle do banco. Contudo, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito do Digimais para um nível de altíssimo risco financeiro antes do início da operação de hoje.