Após dez anos da realização dos Jogos Olímpicos Rio-2016, o ideal de um Parque Olímpico voltado para o esporte de alto rendimento chega ao fim. A administração municipal do Rio de Janeiro está finalizando os procedimentos para que a Rock World S.A., empresa responsável pelo Rock In Rio, assuma a Arena Carioca 1, o Centro Olímpico de Tênis e o Velódromo.
O edital de concessão, que abrange o que a prefeitura denomina “Complexo das Arenas”, foi divulgado no final do ano passado. A abertura das propostas ocorreu em 3 de junho, com a Rock World S.A. como única concorrente, oferecendo R$ 19,5 milhões como outorga fixa para a concessão das arenas por um período mínimo de 20 anos.
O Comitê Olímpico do Brasil (COB), que possui a concessão do Parque Aquático Maria Lenk e de um espaço na Arena da Barra, avaliou a possibilidade de participar da concorrência. No entanto, após analisar os custos envolvidos, o COB decidiu não se candidatar, considerando inviável o investimento necessário para uma instituição sem fins lucrativos, mesmo contando com recursos públicos. A entidade manifestou sua disposição para dialogar com gestores de instalações esportivas para futuras parcerias.
O edital classifica a Arena Carioca 1, que sediou competições de basquete durante os Jogos, como um espaço multiuso. Isso implica que Roberto Medina, responsável pela Rock World S.A., poderá utilizar a arena para eventos esportivos, mas essa utilização não é uma exigência contratual. Um modelo semelhante é adotado na Arena da Barra, que foi construída para o Pan de 2007 e reformada para as Olimpíadas, mas atualmente é utilizada apenas para shows e eventos culturais.
Além disso, o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) terá um novo campus nas instalações, oferecendo cursos em áreas como enfermagem e farmácia. A Arena Carioca 3, rebatizada em homenagem a Maria Isabel Salgado, agora abriga o Ginásio Educacional Olímpico, que dispõe de 24 salas de aula e espaços para diversas modalidades esportivas.
Após os Jogos, ainda em 2016, a administração municipal, sob Eduardo Paes, tentou estabelecer uma parceria público-privada (PPP) para a gestão das instalações, mas sem êxito. O governo federal, durante a gestão de Michel Temer, assumiu uma concessão de 25 anos, criando a Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO) para administrar os equipamentos.